31 de dez de 2010

FELIZ ANIVERSÁRIO!!!!

Oi coração!!!!! Feliz aniversário!!!!!
Posto um pouquinho adiantada porque passarei o dia na cozinha e a meia noite tentarei o Bike Tour para nós...
Todo ano novo marca uma data importante: Confraternização e início de um novo dia de recomeço para todos nós!
No fundo, todos sabemos que nem tudo são rosas, mas não custa nada esperar pelo melhor e enfrentar os dias e meses vindouros de coração aberto e otimista pelo que nos espera.
Dia 1 de janeiro é um dia muito especial há 28 anos porque você nasceu e, certamente, estava predestinado pra mim.
Sei que fica um pouquinho melancólico a cada aniversário, mas quem não fica, não é! Ficar mais velho é complicado quando você não percebe as coisas acontecendo, a vida mudando... Há alguns anos atrás faziamos planos nesse dia, ano passado você tentou me convencer a procuramos uma casa para juntarmos nossos livros e sonhos  e daqui dois anos estaremos nelas, nem que seja faxinando  o pó de gesso impregnado no piso. Daí sonharemos nossos armários embutidos e nossas estantes de brinquedos.
Quando estou com você, sempre que saio na rua é como se estivesse fugindo de casa, porque tenho certeza que um dia você vai me levar e não vai mais devolver. Logo, logo, assim que todos os nossos caminhos do mundo estiverem devidamente abertos...
Ultimamente eu vivo parafraseando Quintana e, como o bom velhinho escreveu:  "o pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada a ver com isso", continuaremos resolvendo nossas pendências um com o outro do nosso jeito, sem interferências e opiniões. Só brigaremos mesmo no dia de escolhermos o nome de nossa filha e a cor do piso da sala, mas espero tê-lo convencido até lá...
Seja muito feliz, alma do meu coração, e continue teimoso como bom capricorniano que é, porque uma hora conseguirá tudo o que sonha e se esforça para alcançar.
Para não perder a meada do Quintana, dedico um poema a você que é pura poesia em minha vida.

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão somente de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
                            (Mário Quintana)

30 de dez de 2010

ADEUS ANO VELHO E GASTO!!!!



"Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo..." (Mário Quintana)


Os Estatutos do Homem
(Acto Institucional Permanente)
                                Thiago de Melo (1964)


Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida e, de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.

DESEJO BOAS MUDANÇAS NAS VIDAS DE TODOS!!!

30 de nov de 2010

DEZEMBRO

Poemas de Dezembro... chegou o fim de ano!

Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
é vôo de um pássaro
é uma canção.
(Dezembro de 1968)


Uma vez mais se constrói
a aérea casa da esperança
nela reluzem alfaias
de sonho e de amor: aliança.
(Dezembro de 1973)


Fazer da areia, terra e água uma canção
Depois, moldar de vento a flauta
que há de espalhar esta canção
Por fim tecer de amor lábios e dedos
que a flauta animarão
E a flauta, sem nada mais que puro som
envolverá o sonho da canção
por todo o sempre, neste mundo
(Dezembro de 1981)


Quem me acode à cabeça e ao coração
neste fim de ano, entre alegria e dor?
Que sonho, que mistério, que oração?
Amor.
(Dezembro de 1985)

Alguns desses poemas de Carlos Drummond de Andrade, intitulados "Poemas de Dezembro" ficaram inéditos até 1997.

11 de nov de 2010

Parece merchandising de empresa pública, mas não é. Só estou postando esta campanha aqui porque dou todo o apoio.
Vamos lá moçada, fazer crianças felizes!

Papai Noel 2010

Realizada há mais de 20 anos, o Papai Noel dos Correios é uma das maiores campanhas sociais natalinas do Brasil. Distribuir presentes não é meta institucional da campanha, a principal preocupação é responder aos remetentes das cartinhas endereçadas ao Papai Noel e promover a mobilização dos Correios e da sociedade em torno dos sonhos das crianças brasileiras. A disseminação, em todo país, de valores natalinos como amor ao próximo, solidariedade e felicidade é o principal benefício conquistado graças à vontade dos mais de 108 mil empregados e à solidariedade da sociedade brasileira.

Em 2010, foram estabelecidas parcerias com escolas públicas, creches e/ou abrigos que atendem crianças em situação de vulnerabilidade social. Desta forma, a campanha alinha-se a um dos Objetivos do Milênio estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), denominado "Educação básica de qualidade para todos". A campanha terá por objetivo responder às cartinhas das crianças em situação de vulnerabilidade social que escrevem ao Papai Noel e também estimular a redação de cartas manuscritas, além do uso correto do Código de Endereçamento Postal (CEP) e do selo postal.

Parte das cartas selecionadas será de estudantes das escolas da rede pública de ensino (até 4ª série do ensino fundamental) ou instituições parceiras (creches, abrigos, orfanatos e núcleos socioeducativos). A outra parte continua sendo selecionada como nos anos anteriores, entre as cartas enviadas ao Papai Noel diretamente pelas crianças.

Objetivos
Levar o encantamento do Natal a milhares de crianças por todo país é o principal objetivo de uma das maiores campanhas sociais natalinas do Brasil, o Papai Noel dos Correios.

Além disso, a campanha tem por objetivo específico responder às crianças que escrevem ao Papai Noel e atender, sempre que possível, aos pedidos de presentes de Natal das que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Em 2010, mais um importante objetivo foi estabelecido: trabalhar com as crianças o poder da comunicação por meio da redação de cartas ao Papai Noel. A meta é contribuir para o desenvolvimento da habilidade da escrita, da redação de carta e do endereçamento correto, com destaque para a importância do Código de Endereçamento Postal (CEP) e do selo postal.

Benefícios e contribuições para sociedade
O principal benefício que o Papai Noel dos Correios proporciona à sociedade é a disseminação em todo país dos valores natalinos como amor ao próximo, solidariedade e felicidade. A união de empregados ecetistas e sociedade brasileira em torno da realização dos sonhos infantis é a maior contribuição social da campanha.

Em 2010, a campanha ganhou mais um objetivo: contribuir para o incentivo à escrita por meio da redação de cartas. Distribuir presentes não é meta institucional da campanha Papai Noel dos Correios. A principal preocupação é responder aos remetentes das milhares de cartinhas endereçadas ao Papai Noel. Sensibilizados com os pedidos contidos nas cartas selecionadas, os Correios convidam a sociedade para integrar essa mobilização nacional e realizar sonhos!


Cronograma nacional
O período de recebimento e adoção de cartas, envio de resposta às crianças e entrega dos presentes é definido pela Diretoria Regional de cada um dos Estados, porém deverá estar compreendido no período indicado abaixo. Para conhecer o período da campanha em seu Estado, entre em contato com o representante do seu Estado.


Recebimento e adoção de cartas, envio de resposta às crianças e entrega dos presentes pelos Correios: 04/10/2010 a 17/12/2010
Lançamento nacional da campanha: 05/11/2010
Encerramento nacional da campanha: 20/12/2010

Disponível em : http://www.correios.com.br/papainoelcorreios2010/index.html

8 de nov de 2010

NOITE

"Mergulho na quase dor de uma intensa alegria - e para me enfeitar nascem entre os meus cabelos folhas e ramagens".

Água-viva, de Clarice Lispector
Eu tenho que trabalhar daqui a pouco, estou com insônia, não lembro do que vou falar amanhã no seminário e me baixou aquele caboclo leitor de Clarice... é brincadeira!
Divaguei as ramagens... penso que estou descabelada mesmo...
Ficamos aqui eu, meu pijama e meu despautério.

Vá dormir Raquel! Que que há?

23 de out de 2010

"Rasguei seda, comi flores"

Hoje acordei bem cedinho porque havia marcado cabeleireiro para as 9 da manhã, lá no Brás. Fui toda feliz porque adoooro cortar as madeixas. Como dizia famosa letra do Nego Dito: "Mulher... Em caso de dor ponha gelo / Mude o corte de cabelo", mas eu não estava sofrendo não... estava até feliz! O que me faz sofrer é essa agonia de ficar 6 meses sem podar nem as pontinhas... Gente, cabelo cresce!!!
Como tenho mais eventos para ir neste ano e no próximo, vou ter que aguentar mais uns meses com essa juba brotando do juízo. Melhor assim... tenho visto tantas meninas por aí com pouquíssimo cabelo. Tem umas que conheço que vivem com rabo de cavalo para disfarçar as falhas... Perdão, ainda bem que tenho bastantão, não é!
Voltando à letra da música que me inspirou hoje; que vou postar, é claro!; num mundo aonde tudo é cópia, ninguém é como Itamar... Como o mesmo escreveu "Se a obra é a soma das penas: pago, mas quero meu troco em poemas".
Francisco José Itamar de Assumpção no interior de São Paulo em 1949, e, como bom amante de seu Estado, morreu na capital paulista em 2003. O "maldito da MPB" soube muito bem misturar samba com rock e funk, entre outros ritmos, em letras satíricas repletas de crítica social e foi um dos principais nomes das dita "Vanguarda Paulista" do século passado (afffff, eu nasci no século passado!!!!) entre as décadas de 78 e 80. Como mediocre pesquisadora que sou, procurei na Wikipédia mesmo sobre o tal movimento e dizia-se que "a Vanguarda Paulista reuniu artistas que decidiram romper o controle das gravadoras sobre a produção e lançamento de novos talentos nos anos finais da Época das Trevas Modernas(?????). Os representantes desse movimento eram artistas que produziam e lançavam seus trabalhos independentemente das grandes gravadoras. Criavam suas proprias micro-empresas e gerenciavam a si mesmos."
Ao lado de Arrigo Barnabé, Grupo Rumo, Premeditando o Breque, os Pracianos (Dari Luzio, Pedro Lua, Paulo Barroso) e Le Dantas & Cordeiro, Itamar Assupção marcou sua obra basicamente por não ter tido interferência da "ditadura" das gravadoras, o que fez com que sua obra fosse tida por 'difícil' pelos criticos de cultura raza da época. Itamar respondia às críticas de sua maneira, afinal, o duelo verbal lhe apetecia como forma honesta de defender a integridade do artista assim como dava-lhe prazer triturar argumentos dos que com cultura limitada tentavam dirigir o processo de criação do artista. Tecia críticas até sobre si mesmo, pois, seu único LP produzido por uma grande gravadora (Continental, em 1988) recebeu o título de "Intercontinental! Quem diria! Era só o que faltava..".
Para que nunca ouviu... um dos meus preferidos! Na composição Itamar Assumpção e Alice Ruiz. Do álbum BICHO DE 7 CABEÇAS VOL. II - ITAMAR ASSUMPÇÃO E AS ORQUÍDEAS DO BRASIL lançado em 1994 pela gravadora Baratos Afins.

Milágrimas

Composição: Itamar Assumpção - Alice Ruiz

Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido

A cada milágrimas sai um milagre

Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço

A cada milágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre

A cada milágrimas sai um milagre

17 de out de 2010

O AMOR DO PEQUENO PRÍNCIPE: cartas a uma desconhecida

Li esse livro ontem enquanto descansava de minhas desventuras pela 15ª Fest Comix,sentadinha no espaço Juvenil da Fnac Paulista.
O livro é curtinho e de rápida leitura. Contém aquarelas e cartas inéditas do autor de "O Pequeno Príncipe" para uma desconhecida como uma inveção de um amor do princepezinho e o desdém que Antoine de Saint-Exupéry parece sentir por parte de sua amada.
Achei o site: http://www.oamordopequenoprincipe.com.br/home.asp do livro que é muito bonito e bem montado como o próprio livro. A imagem abaixo é de um dos links do site e, como sempre, dá pra perceber que Exupéry foi insuperável.


Segue uma das cartas do livro, não a que eu tenha achado mais bela, mas, sem dúvida a mais emocionante.
Boa leitura.

"Desde agora, cinco horas da tarde, até a hora em que for dormir, estarei sozinho, porque disse a todos os meus amigos que estava muito cansado e não queria ver ninguém.
A menininha para quem cuidadosamente reservei esse tempo livre nem se deu o trabalho de me avisar que não viria.
Descubro com melancolia que o meu egoísmo não era tão grande assim, pois dei ao outro o poder de me magoar.
Meninina, foi com carinho que lhe dei esse poder. É com melancolia que a vejo usá-lo.
Os contos de fada são assim. Uma manhã, a gente acorda e diz: "Era só um conto de fadas..." E a gente sorri de si mesma. Mas, no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida.
A espera, os passos leves. Depois as horas que correm frescas como um riacho em meio à relva sobre seixos brancos. Os sorrisos, as palavras sem importância que são tão importantes. Escutamos a música do coração: é linda, linda para quem sabe ouvir...
Queremos muitas coisas, é claro. Queremos colher todos os frutos e todas as flores. Queremos sentir o cheiro de todos os campos. Queremos brincar. Será mesmo brincar? Nunca sabemos onde começa a brincadeira nem onde ela acaba, mas sabemos que somos carinhosos. E ficamos felizes.
Não gosto da estação interior que substituiu minha primavera: uma mistura de decepção, de secura e de rancor. Mergulho num tempo vazio onde não tenho mais motivo para sonhar. O mais triste num sofrimento é se perguntar : "Vale a pena?"
Vale a pena todo esse sofrimento por quem nem mesmo pensa em avisar? Certamente não. Então nem sofrimento se tem mais, e isto é ainda mais triste.
Não há Pequeno Príncipe hoje, nem haverá nunca mais. O Pequeno Prícipe morreu. Ou então tornou-se cético. Um Pequeno Principe cético não é mais um Pequeno Príncipe. Fiquei magoado com você por tê-lo destruído.
Também não haverá mais carta, nem telefonema, nem sinal. Não fui muito prudente, e não pensei que pouco a pouco, com isso, arriscava um pouco de sofrimento. Mas eis que me feri na roseira ao colher uma rosa.
A roseira dirá: "Que importância eu tinha para você?" Chupo meu dedo, que sangra um pouquinho, e respondo: "Nenhuma, roseira, nenhuma. Nada tem importância na vida. (Nem mesmo a vida.) Adeus roseira.""


A.

28 de set de 2010

VAZIO

Venho aqui justificar que não produzo nada há alguns dias, assim como, também, não penso em nada e não sonho com nada. A Raquel anda sem coisas ultimamente...

21 de set de 2010

IN MY LIFE

In My Life é uma canção composta por John Lennon e Paul McCartney e foi lançada no álbum Rubber Soul, sexto álbum lançado pelo grupo em 1965 , tendo sido gravado em, aproximadamente, em quatro meses.
A música é uma das mais famosas dos Beatles, executada e regravada até hoje por vários artistas e presente em vários comerciais. Tem a versão em português "Minha Vida" cantada pela Rita Lee. Ela também foi regravada por Matthew Scannell para o filme ABC do Amor.
Após a separação dos Beatles, John disse que a compôs praticamente sozinho com uma pequena contribuição de Paul a música In My Life, Paul no entanto disse que ajudou na composição do começo ao fim.

10 de set de 2010

Imagine uma menina com cabelos de Brasil

Assisti a esse curta brasileiro do diretor Alexandre Bersot na premiação do Anima Mundi 2010 e achei fantástico. Conta a história de uma menina que rejeita o seu cabelo brasileiro. Outras meninas com cabelo diferente rejeitam a menina brasileira. O cabelo é uma metáfora da busca de aceitação do povo perante o resto do mundo. Ela se sente forte ao perceber que não está sozinha e descobre que todas podem ser iguais quando se descabelam.
Agora pense em toda essa hitória contada em apenas 10 minutinhos ao som de "Imagine" do John Lennon:
"Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace"
O filme ficou até o mês passado disponível no You Tube, mas creio que a repercussão nas mídias obrigou o autor a tirá-lo. Se puderem, o vejam nos cinemas e confiram um pedacinho no site do Alexandre em http://www.alexandrebersot.com.br/imagine.htm

PRÊMIOS:

2010 - Prêmio de Melhor Curta de Animação Brasileiro pelo júri popular no Festival Anima Mundi SP
2010 - Prêmio Aquisição Canal Brasil de Melhor Curta de Animação Brasileiro pelo júri popular no Anima Mundi RJ
2010 - Segundo lugar na categoria Melhor Curta Brasileiro pelo júri popular no Festival Anima Mundi RJ
2010 - Prêmio Anima Mundi Itinerante (os melhores curtas de 2010 serão exibidos em diversas cidades brasileiras)
2010 - Prêmio de Melhor Animação Infantil pelo júri popular no Festival Locomotiva (Garibaldi, RS)

PARTICIPAÇÃO EM MOSTRAS E FESTIVAIS:

2010 - Seleção oficial do 8ª FICI - Festival Internacional de Cinema Infantil (RJ) - calendário em breve
2010 - Seleção oficial do 9ª Festival de Cinema Infantil de Florianópolis (SC), de 19 de junho a 4 de julho
2010 - Seleção oficial do 18ª Festival Anima Mundi (RJ), no Rio de 16 a 25 de julho e em SP de 28 de julho a 1 de agosto
2010 - Seleção oficial do 5ª CineOP - Festival de Cinema de Ouro Preto (MG), de 18 a 22 de junho
2010 - Seleção oficlal do 14ª FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul (SC), de 11 a 18 de junho
2010 - Seleção oficial do 33ª Festival Guarnicê de Cinema - Maranhão, de 22 a 26 de junho
2010 - Seleção oficial do Festival Locomotiva - Garibaldi (RS) de 7 a 12 de junho
2010 - Convidado para a Mostra Panorama do 20ª Cine Ceará

8º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA INFANTIL (FICI)

O FICI chega à oitava edição com 246 filmes exibidos levando mais de 700 mil crianças às salas de cinema, com grande percentual de participação de alunos de escolas públicas e projetos sociais na programação especial A TELA NA SALA DE AULA.
Em 2010, o Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI) levará mais de 90 filmes para as salas de cinema da Rede Cinemark em 9 cidades brasileiras, reunindo inéditos e clássicos, curtas-metragens brasileiros e internacionais, séries de TV e mostras especiais além de oficinas de cinema de animação e debates. A estreia acontece no Rio de Janeiro e Niterói (de 27 de agosto e 05 de setembro), segue para Brasília (03 e 12 de setembro), São Paulo e Campinas (10 a 19 de setembro), Belo Horizonte (17 a 26 de setembro), Recife (08 a 17 de outubro), Aracaju e Salvador (22 a 31 de outubro).
O Festival Internacional de Cinema Infantil também promove em agosto no Rio de Janeiro o fórum Pensar a Infância pelo segundo ano consecutivo, onde realizadores, espectadores e incentivadores terão a oportunidade de discutir o cinema para crianças e jovens, abrindo espaço para idéias e reflexões sobre o mercado cinematográfico brasileiro e internacional. Para o fórum Pensar a Infância, convidamos profissionais que nos emprestam suas experiências sobre a criação, produção e distribuição de conteúdo.
O Programa Internacional traz títulos inéditos de diversos países em versão dublada e faz um pequeno panorama do cinema direcionado as crianças. Os destaques ficam para o longa holandês "Iep!" , vencedor de prêmios internacionais, como o recente "Melhor Filme" no Festival de Cinema Infantil de Montreal e para animação francesa "O Segredo de Eleonor", dirigida por Dominique Monféry que recebeu menção honrosa no Annecy International Animated Film Festival. Um longa-metragem sem diálogos mostra para pequenos espectadores a força da narrativa do cinema húngaro, "Perdidos na Galáxia".
Na "Pré-estreia Brasil", apresentamos "Eu e Meu Guarda-Chuva", filme dirigido por Toni Vanzolini baseado no livro infantil homônimo de Branco Mello, dos Titãs e de Hugo Possolo. O roteiro foi adaptado por Adriana Falcão, Marcelo Gonçalves e Bernardo Guilherme e foi selecionado no Segundo Laboratório Sesc Rio de Roteiro de Cinema Infantil. Outra pré-estreia brasileira é "Antes que o Mundo Acabe", filme de Ana Luiza Azevedo direcionado aos novos jovens produzido pela casa de cinema de Porto Alegre que arrematou seis prêmios no Festival de Paulínia e o prêmio Itamaraty de Melhor Longa de Ficção da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo.
Grande sucesso do FICI, a sessão "Dublagem ao vivo" recebe nesta edição oito filmes inéditos, proporcionando a chance de conhecer o trabalho dos dubladores. Na programação estão filmes de diversos países, como a espanhola "O Lince Perdido", dirigida por Raul Garcia, diretor indicado ao Oscar pelo curta-metragem "The Tell Tale Heart" e conhecido por seu trabalho como animador em "Aladdin", "O Rei Leão" e "Tarzan"; a argentina "Plumíferos", com supervisão artística de Juan José Campanella; a japonesa "Yona Pinguim"-exibida nos festivais de Veneza e Tóquio; Orps – O Filme, indicado ao Amanda Awards na Noruega; a alemã "Amigos Para Sempre", o filme dinamarquês "Meu Amigo Storm";o holandês "O Índio", exibido no Sprockets Toronto International Film Festival for Children e a divertida comédia co-produzida entre França e LuxemburgoVamos, Contem! que fez parte da seleção oficial do no Annecy International Animated Film Festival.
Dentro do festival acontece o Prêmio Brasil de Cinema Infantil que exibe curtas-metragens direcionados ao público infantil em mostras competitivas e não-competitivas. Com objetivo de estimular a produção de filmes, em parceria com o Grupo Labocine/Cinema, o FICI premiará os melhores curtas de ficção e animação. Cada um deles receberá o troféu do Prêmio Brasil de Cinema Infantil e R$ 5.000 em serviços de laboratório.
A pluralidade cultural continua através de Viva a Língua Portuguesa! – uma série de curtas-metragens produzidos em Portugal, no programa Contos Poloneses, que conta os principais contos de fadas poloneses e Histórias Preciosas, série de contos animados que exploram informações e descrições sobre diversas regiões da Rússia. Estas histórias foram produzidas pelo primeiro estúdio de animação privado da Rússia e estão na sessão "Se você ainda não viu" que também conta com "Barry e a Banda das Minhocas" e "A Turma da Mônica – Uma Aventura no Tempo".
E para aqueles que acharam que não poderiam mais assistir a ótimos filmes em versão 3D, o FICI traz uma seleção especial com o vencedor do Oscar de melhor animação deste ano "Up! – Altas Aventuras", "Viagem ao Centro da Terra – O Filme", indicado ao Teen Choice Awards por melhor filme de aventura e "Toy Story 3", que encerra a consagrada franquia da Pixar. A Sessão "Pré-estreia 3D" traz junto ao curta-metragem "Bugigangue, Controle Terremoto" o longa "Batalha por T.E.R.A."
A "Sessão clássicos" o FICI dá a chance aos mais jovens de conhecer e aos mais velhos de recordar grandes filmes. Nela estão "Kiriku e a Feiticeira" (1998), vencedor de onze prêmios incluindo o Annecy e o British Animation Awards e o longa brasileiro "Super Colosso – A Gincana da TV Colosso" (1995), filme escrito por Giba Assis Brasil e Laerte Coutinho, composto pelos cartunistas Angeli, Laerte, Glauco, Luiz Gê, Fernando Gonsales, Newton Foot, Gilmar Rodrigues, e Flávio Luiz, baseado no programa de TV exibido pela Rede Globo durante a década de 90.
Outra pré-estréia especial será do filme "O Segredo de Kells", dirigido por Tomm Moore e exibido na programação do FICI no ano passado, depois de levar oito prêmios internacionais, foi indicado ao Oscar na categoria "Melhor longa-metragem de animação" deste ano e ganhou distribuição no Brasil pela Imagem Filmes, assim, volta ao evento que o divulgou com exclusividade.
O programa "Novos Jovens" desconstrói em filmes os conflitos naturais da pré-adolescência. Estes filmes mostram que independente do local onde vivem as crianças tem novas motivações e muitas delas em comum. Filmes como "Karla e Jonas" (sequência de "Karla e Katrine", exibido na última edição do FICI), "Antes que o Mundo Acabe" e "As Pequenas Selvagens" (prêmio de melhor comédia juvenil do Undine Awards, na Áustria) retratam esta fase. As sessões são fechadas e receberão turmas escolares com a mesma faixa etária dos protagonistas, acompanhadas pela pedagoga do FICI, Lilia Levy. Para participar, entre em contato através do e-mail contato@fici.com.br.
O projeto "A tela na sala de aula" traz esse ano a parceria com a Centre National du Cinéma Et De L’Image Animée, centro que implementou, desde 1989, na França, três dispositivos para proporcionar aos alunos, desde o maternal até o vestibular, uma verdadeira educação artística na área do cinema e do audiovisual. O FICI exibe cinco filmes deste projeto para alunos de escolas públicas e particulares e disponibiliza extenso material pedagógico para os professores para futuras atividades.
Por fim, os pequenos poderão se divertir e aprender em nossas oficinas de cinema de animação onde conhecerão e usufruirão, antes ou após as sessões, das técnicas utilizadas em filmes de animação. As atividades poderão ser vistas posteriormente em nossa página no Youtube.

QUANDO EU DIGO QUE O ESTUDO MUDA O MUNDO...

8 de set de 2010

AI... A ARTE

"buscar a poesia na concepção de um quadro de maneira pré-concebida é o mais seguro erro de não a encontrar. Ela deve surgir sem que o artista perceba. É o resultado da própria pintura, pois ela repousa na alma do espectador e o gênio consiste em despertá-la. A pintura só é interessante pela cor e pela forma; sua semelhança com a poesia só se dá na medida em que esta última desperta no leitor ideias pictóricas." (BAUDELAIRE, 2005, p.106-7)
A Lua - Tarsila do Amaral.

"Ficaria mais atraente, se eu o tornasse mais atraente. Usando, por exemplo, algumas coisas que emolduram uma vida ou uma coisa ou romance ou um personagem. É perfeitamente lícito tornar atraente, só que há o perigo de um quadro se tornar quadro porque a moldura o fez quadro. Para ler, é claro, prefiro o atraente, me cansa menos, me arrasta mais, me delimita e me contorna. Para escrever, porém, tenho que prescindir. A experiência vale a pena, mesmo que seja apenas para quem escreveu."
LISPECTOR, Clarice. A legião estrangeira. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964. p.136

2 de set de 2010

A República Popular do Corinthians

1º DE SETEMBRO - DIA DO CORINTHIANS

Desde 2009, em todos os dias 1º de setembro, os torcedores alvinegros celebrarão a fundação do clube, saindo de casa com algo que homenageie o Sport Club Corinthians Paulista. Eu faço a minha parte há dois anos!!!! Assim, em qualquer lugar do planeta onde exista um corinthiano haverá uma camisa do Timão!
No dia 1º de setembro de 1910, um grupo de 13 pessoas se reuniu no bairro do Bom Retiro, sob a luz de um lampião para criar um time de futebol, inspirado no inglês Corinthian, conhecido hoje como Corinthians, o time mais popular da cidade.
Os 100 anos de história do Corinthians foram marcados por muitos altos e baixos e feitos dignos de um grande clube . Das 26 conquistas estaduais à queda para a Série B do Brasileirão e sua imediata volta à elite. O Corinthians passou pela várzea, lutou pelo profissionalismo e se firmou como grande nome no futebol mundial. Encarou uma seca de títulos, e, mesmo assim recebeu o apelido de Timão, carregado até hoje. Conquistou o Brasil e dominou o mundo!!!!!!!!
Como dizia o samba-enredo do carnaval 2010, que fiz questão de conferir pessoalmente no Anhembi no dia 13/02/2010:
"Corinthians é o meu amor
Seu manto é raça e tradição
Eu bato no peito e grito pra mundo
O meu orgulho de ser Gavião"

Corinthiano não escolhe, nasce desta forma. Aliás, todos nascem corinthianos, mas alguns são desviados pelo caminho, por isso que o mundo é dividido entre corinthianos e anti-corinthianos. É só ver como, a qualquer gol que tomamos, sempre tem alguém comemorando.Só mesmo um corinthiano tem autoridade e direito de falar deste grande clube. Nós temos o direito e o poder!!! É meu velho,  100 anos... Ninguém pode explicar o que é pertencer a esta nação, fiel nação, que nunca abandonou seu grande guerreiro.Digo mais, se São Jorge chamasse a seleção do Corinthians para jogar hoje lá no céu, acho que eu morreria só para assistir!

Posto a canção considerada o segundo hino desta nação e, em seguida, o vídeo de homenagem da Nike, muito bonito por sinal. Pra finalizar, recomendo os filmes "TODO PODEROSO-O FILME: 100 Anos de Timão", uma produção do Canal Azul e da 20th Century Fox e "FIEL-O FILME" de roteiro de Marcelo Rubens Paiva e Serginho Groisman.

Corinthians do Meu Coração
(Composição: Toquinho)

És grande no esporte bretão,
O passado ilumina tua história.
Ciente de tua missão:
Vitória, vitória, vitória.

Corinthians do meu coração,
Tu és religião de janeiro a janeiro.
Ser corinthiano é ir além
De ser ou não ser o primeiro.
Ser corinthiano é ser também
Um pouco mais brasileiro.

Tens a tradição
De um clube tantas vezes campeão.
Pelos teus rivais, temido;
Pela tua FIEL, querido.

Ser corinthiano é ir além
De ser ou não ser o primeiro.
Ser corinthiano é ser também
Um pouco mais brasileiro.

http://www.youtube.com/watch?v=53hcGXGDCcI

EU NUNCA VOU TE ABANDONAR, PORQUE EU TE AMO... EU SOU CORINTHIANS!!!

22 de ago de 2010

MEUS 10 ANOS...

MY GIRL
(The Temptations)

I've got sunshine on a cloudy day
When it's cold outside
I've got the month of may
I guess you'll say
What can make me feel this way
My girl
Talking about my girl

My girl

I've got so much honey
The bees envy me
I've got a sweeter song
Than the birds in the trees
Well I guess you'll say
What can make me feel this way
My girl
Talking about my girl

My girl

I don't need no money
Fortune or fame
I've got all the riches baby
One man can claim
Well I guess you'll say
What can make me feel this way
My girl
Talking about my girl
My girl

I've got sunshine on a cloudy day
My girl
I've even got the month of may with my girl


4 de ago de 2010

O FILHO QUE EU QUERO TER

O pai é um amigo especial, diferente dos outros amigos por ter autoridade, identidade própria, credibilidade, transparência e imagem nitidamente definida, ou seja,  não é o Bicho-Papão que corrige os problemas ao chegar em casa. Estudos psicológicos dos desvios da personalidade mostraram que o pai participa de forma completa na organização ou desorganização da personalidade do filho. O pai é o primeiro "outro" percebido pela criança como personagem fora da mãe. Ser pai, portanto, é participar de forma efetiva desde a concepção, tendo como elemento fundamental o Amor.
Hoje presenciei uma das cenas mais tristes da minha vida: um colega de trabalho, no desabrochar de seus 20 anos, PAI de um lindo bebezinho de uma gestação de 4 meses, chorando desesperadamente ao receber a notícia que o coraçãozinho do seu filho não batia mais na barriga da mãe.
Foi de cortar o coração... Todo o carinho que ele tinha e depositava naquele que seria o seu sonho, o seu projeto para o futuro, o seu próprio futuro... uma vida que era sua também.
Espero que entenda que agora seu menino virou anjinho da guarda.
Vinícius de Moraes escreveu a letra abaixo para uma canção feita a Toquinho pelos idos de 1974, quando o compositor confessou o desejo de ter um filho.Vinícius disse: "Que ótimo! Vamos sonhar com esse momento."
É uma das letras mais belas sobre a relação de pai e filho que já vi... Tomo para mim as palavras de Otto Lara Resende "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". 
Homenageio o Damião, papai desolado, meu pai, por ter sonhado por mim desde que soube que eu existia e a todos os bons pais deste mundo. Também ao pai que escolhi para os meus filhos.

O Filho Que Eu Quero Ter
Música: Toquinho
Letra: Vinicius de Moraes

É comum a gente sonhar, eu sei,
Quando vem o entardecer;
Pois, eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer.

um berço e nele eu me debruçar
com um pranto a mim correr
e assim chorando acalentar
o filho que eu quero ter.

Dorme, meu pequenininho
Dorme, que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem.

De repente eu o vejo se transformar
No menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim.

Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim.

Dorme, menino levado
Dorme, que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem.

Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu,
[Sentir-lhe] a barba me roçar
No derradeiro beijo seu.
E ao sentir também sua mão vedar

Meu olhar dos olhos seus,
[Ouvir-lhe] a voz a me embalar
Num acalanto de adeus.
Dorme, meu pai sem cuidado

Dorme, que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter.

1 de ago de 2010

BRILHA UMA ESTRELA

Vocês já acordaram algum dia com muito orgulho de alguma pessoa? Sei lá, por ter sua amizade, por reconhecer seu talento, por ter acompanhado os passos de sua evolução e compartilhar a apoteose de um destino triunfante?
Amanheci assim hoje, exaltante de felicidade pelo sucesso da minha amiga Roberta.

Papai, Namorado, Mamãe e irmão orgulhosos
Rô, continue linda, radiante, maravilhosa e leve! Você sempre encherá os corações de seus amigos, familiares e do nosso Mala (mais seu do que nosso) de muito amor e felicidade!

AMIGOS ORGULHOSOS: Ana, Lilian, Ricado, Patricia e Raquel
Assisti espetáculo  "Deuses da Mitologia Grega" junto ao grupo coreografado pela bela Kahina. Lindo!!!
Posto abaixo um video da apresentação "Deméter" em que a Roberta aparece no centro do palco em primeiro plano. Não é uma estrela essa minha amiga? Amo!!!!!!!!!!
Como não poderia faltar por parte desta que vos escreve, estudante de letras, e, olhem só a coincidência, de grego arcaico... posto um pouquinho do que sei e do que li em Hesíodo sobre a deusa para que compreendam essa parte do espetáculo.

Deméter , em grego Δημήτηρ,  filha de Cronos e Réia,  é a deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano. Enquanto deusa da agricultura, fez  longas viagens com Dionísio ensinando os homens a cuidarem da terra e das plantações. Com Zeus, seu irmão,  teve uma filha, Perséfone, cujo epíteto era "a de braços brancos" e com com o mortal herói cretense Etion teve  o deus Plutus (segundo Hesíodo em "Os trabalhos e os dias").
Perséfone foi raptada pelo deus Hades , que a levou para seu reino subterrâneo, deixando Deméter desesperada a ponto de sair pelo mundo dos homens sem comer e nem descansar. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto sua filha não lhe fosse devolvida, e culpando a terra por ter aberto a passagem para Hades levar sua amada filha. Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem comida a população sofria de fome e doenças. A fonte Aretusa contou a ela  que a terra abriu-se de má vontade, obedecendo às ordens de Hades e que Perséfone estava no Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos mortos.
Com a situação caótica em que estava a terra estéril, Zeus pediu a Hades que devolvesse Perséfone. Ele concordou, porém antes, fê-la comer um bago de romã e assim a prendeu para sempre aos infernos, pois quem comesse qualquer alimento nessa região ficava obrigado a retornar. Com isso, ficou estabelecido que Perséfone passaria um período do ano com a mãe, e outro com Hades, quando é chamada Proserpina. O primeiro período corresponde à primavera, em que os grãos brotam, saindo da terra assim como Proserpina. Neste período Perséfone é chamada Core, a moça. O segundo é o da semeadura de outono, quando os grãos são enterrados, da mesma forma que Perséfone volta a ser Proserpina no reino do seu marido.
Os Mistérios de Elêusis, celebrados no culto à deusa, na Grécia, interpretam essa lenda como um símbolo contínuo de morte e ressurreição (segundo a "Teogonia").

Tem tudo a ver com a Roberta, a questão de semear, de agrupar de transmitir o carinho materno e florescer alegria. Ela é assim, e um pouquinho muito mais!

DEMÉTER: "Deusa Das Estações".
Integrantes: Cintia, Josiane, Karina, Mônica, Renata, Roberta Carolina, Sandra e Valéria Vasconcelos.
Show realizado no Teatro Santo Agostinho 31/07/2010.

31 de jul de 2010

RAQUEL

(Jorge Drexler)

Busca mis ojos
toma mi mano, acércate
Este es tu sitio
esta es tu taza de café
No digas nada
dices con la mirada mas de lo que crees
A la deriva llevas el alma en el timón
Vas por la vida sólo buscando el corazón
Buscas un puerto, buscas un cielo abierto
lejos del dolor

Ooh... Raquel

Tanto camino, tanto buscarte en outra piel
A tu destino, querías mantenerte fiel
Princesa herida
el teatro de la vida
cambia tu papel

Ooh... Raquel
 
Do álbum do Nenhum de Nós, "Pequeno Universo" lançado em 2005.

20 de jul de 2010

AOS AMIGOS QUE SEMPRE TEREI...

Comemorei o meu primeiro dia do Amigo aos 15 anos. Me lembro de termos ouvido na extinta Rádio Cidade que no dia 20 de julho era celebrada a amizade, e, me lembro também de termos dito uns aos outros que não poderíamos esquecer aquela data pois se tratava do dia do aniversário de nosso grande amigo Binho.
Passaram-se onze anos, sempre me lembrarei daquele dia e do que aquele momento significou. Estavamos cravando uma amizade que começara alguns anos antes e preparando terreno para que outros amigos pudessem vir... e assim foi!
Agradeço, hoje, através desta postagem, a todos os que compartilharam sua vidas comigo. Que me abraçaram ou rejeiitaram, sorriram pra mim, e, as vezes, de mim... aos que entenderam que meu desejo de voar através da poesia, quando mais jovem, e, hoje, através da prosa não era por vontade de sumir de suas vidas, mas para poder levar-lhes através de outras possibilidades... Acho que puderam entender que literatura era tão importante para mim quanto suas presenças constantes ao meu lado.
Ganhei novos amigos durante este tempo e se tornaram tão importantes que penso não poder mais viver sem a atenção de seus mimos. Amo-os sempre, e para sempre.
Celebremos aos amigos de ontem, os que escolhiam seu primeiro livrinho lá na pequena biblioteca do Borges e aos de hoje que ajudam a compor o imaginário da literatura infantil deste país... celebremos os amigos que leram comigo o lilho "Amor e cuba libre" e mais tarde me proporcionaram a emoção de conhecer a cuba e depois o amor.
Celebremos aos eternos amores e às constelares amizades. Aos de hoje e aos de todos os tempos. Amigo é mesmo coisa pra se guardar e para compartilhar!

10 de jul de 2010

ISMÁLIA

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Alphonsus de Guimarãens. Publicado no livro Pastoral aos crentes do amor e da morte: este poema, integrante da série "As Canções", foi incluído no livro “Os cem melhores poemas brasileiros do século”, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2001, pág. 45, uma seleção de Ítalo Moriconi.

1 de jul de 2010

1º DE JULHO


A Tempestade ou O Livro dos Dias, é o sétimo (númro sugestivo, não?) disco da banda brasileira de rock Legião Urbana, lançado em 20 de Setembro de 1996. É o último disco lançado pelo líder da banda, Renato Russo, ainda em vida. Segundo entrevista de Renato, o álbum foi lançado com dois nomes porque, enquanto ele preferia "A Tempestade", Bonfá preferia "O Livro dos Dias". Apesar dos dois nomes, apenas A Tempestade aparece na capa. Este nome também é uma referência a última peça de William Shakespeare, denominada também A Tempestade.
Foi o primeiro álbum produzido pelo guitarrista Dado Villa-Lobos, embora o crédito também leve o nome da banda: "Produzido por Dado Villa-Lobos e Legião Urbana".

Gravado entre janeiro e junho de 1996, no estúdio carioca AR Estúdios, foi planejado para ser um disco duplo, pois foram também gravadas canções que fariam parte do póstumo Uma Outra Estação, porém, a proposta foi novamente recusada, assim como o projeto "Mitologia e Intuição" (que originou os álbuns Dois e Que País É Este 1978/1987). Durante as gravações, Renato Russo não quis gravar vozes definitivas para todas as músicas, fazendo-o apenas na canção "A Via Láctea", e, por isso, as outras canções contam com a voz-guia (primeira voz gravada para a música). Grande parte dos arranjos estava pronta desde o fim de 1995.
A maioria das letras do disco (escritas em 1996, durante os sintomas da doença de Russo) são consideradas melancólicas e tristes, como se pode ver em canções como Mil Pedaços, Quando Você Voltar e Longe do Meu Lado, além de canções mais introspectivas, como O Livro dos Dias (que também é um dos nomes do disco) e Soul Parsifal (parceria inédita de Renato Russo com a cantora Marisa Monte). Há também espaço para letras mais cotidianas e alegres, como Leila, 1º de Julho (composta para Cássia Eller, que a gravou primeiramente) e Dezesseis (que fala sobre um jovem de Brasília, amante do rock, que falece aos 16 anos ao disputar um "racha" - corrida ilegal entre carros). A faixa "Dezesseis", além de citar Janis Joplin, Led Zeppelin, Rolling Stones e os Beatles, também cita uma música destes últimos: Strawberry Fields Forever. A faixa "1º de Julho" fora feita por Russo para Cássia Eller, que a gravou no disco Cássia Eller, em 1994. Foi gravada durante as sessões de gravação de The Stonewall Celebration Concert, primeiro disco-solo do cantor, em 1994. A principal canção do disco é A Via Láctea, com letra bastante depressiva, apesar do otimismo de seu refrão "Quando tudo está perdido / Sempre existe um caminho / Quando tudo está perdido / Sempre existe uma luz".
As primeiras edições do disco vieram com uma capa especial em formatação de livro (no mesmo formato em que foi lançado Equilibrio Distante, segundo álbum solo de Renato Russo). Renato recusou-se a tirar fotos para o álbum, tendo sido usada uma foto tirada durante as sessões de fotos de "Equilibrio Distante". Mais tarde, ambos os discos foram relançados na caixa tradicional, de plástico. Em "A Tempestade", não constam agradecimentos e nem a tradicional frase "Urbana Legio Omnia Vincit" (Legião Urbana a tudo vence) e "Ouça no volume máximo". Em seu lugar, foi escolhida uma frase do escritor modernista brasileiro Oswald de Andrade: "O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus".
Posto a versão acústicada Cássia, porque todos hão de convir que a escolha da música pela intérprete foi perfeita. Ninguém carntaria melhor... mil perdões Renato!

25 de jun de 2010

ANJO

Em cada precipício me sento
e um anjo me sussurra com calma
as encruzilhas,
as estradas desconhecidas.

Todos os meus anseios
estão em suas mãos
e com seu hálito me acalma,
me acalanta.

Durma, ele me diz, sentado
na beira de minha sombra,
não tenha medo dos sonhos.

MURRAY, Roseana. Carteira de Identidade. Rio de Janeiro. Ed. Lê.

22 de jun de 2010

A FALTA

A morte (do latim mors), o óbito (do latim obitu), falecimento ou passamento são termos que podem referir-se tanto ao término da vida de um organismo como ao estado desse organismo depois do evento.
A morte é o fenômeno natural que mais se tem discutido tanto em religião, ciência, opiniões diversas. O Homem, desde o princípio dos tempos, tem a caracterizado com misticismo, magia, mistério, segredo. Para os céticos, a morte compreende o cessar da consciência, exatamente quando o cérebro deixa de executar suas funcionalidades.
É o cessar da vida, seja ela física, moral, intelectual, jurídica, morrida ou matada. A morte é também o jeito que Deus tem de te mostrar que você é procurado. Em algumas religiões a morte é considerada como uma salvação, como um marco que será relembrado por todos e até pelo Deus em questão. Mas ainda há quem diga que a morte é a passagem da vida na Terra para a vida no Céu ou no Inferno . Mas também acredita-se que a morte é apenas um cortador de cana, solitário, que ainda não encontrou amigos para conviver, e fica andando com roupas pretas e uma foice (seu objeto de estimação) para tentar chamar a atenção de EMO's que gostam de seu jeito de viver. A morte também gosta de visitar sem aviso, se ela bater na sua porta, não atenda... ou atenda vai ser um a menos!
Não sei porque ainda associo a imagem da morte à embarcação do Caronte... coisas de pensamento grego...
Quando morremos estamos apenas retornando para a nossa verdadeira vida. Nossa estadia na Terra é temporária e muito curta. A vida do espírito é eterna, a vida é passageira e curta e um dia todos nós iremos nos encontrar. Todas as lágrimas e sofrimento que temos depois da morte de nossos parentes é inútil, é perder tempo e poderia ser evitado se todos tivessem um entendimento mais claro sobre a vida e a morte.
Isso tudo não elimina a tristeza...

15 de jun de 2010

A LÍNGUA MÃE

Não sinto o mesmo gosto nas palavras:
Oiseau e pássaro
Embora elas tenham o mesmo sentido.
Será pelo gosto que vem de mãe? de língua mãe?
Seria porque não tenho amor pela língua de Flaubert?
Mas eu tenho.
(Faço esse registro
porque tenho a estupefação de não sentir com a mesma riqueza
as palavras oiseau e pássaro)
Penso que seja porque a palavra pássaro em
mim repercute a infância
E oiseau não repercute.
Penso que a palavra pássaro carrega até hoje
Nela o menino que ia de tarde pra
debaixo das árvores a ouvir os pássaros.
Nas folhas daquelas árvores não tinha oiseaux
Só tinha pássaros.
É o que me ocorre sobre língua mãe.

Manoel de Barros – In: O fazedor de amanhecer, 2001

8 de jun de 2010

Zeca Hilst

"Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse"



O texto é velhinho, mas o disco vale muito a pena.... Amo o Baleiro e a Hilda diz muito do que eu gostaria de dizer!


A poesia sonora de Hilda Hilst no baleiro de Zeca

Foi por iniciativa de Hilda Hilst (1930 -2004) que Zeca Baleiro se tornou parceiro da poeta paulista. Ao receber uma cópia do primeiro disco do compositor maranhense, Por Onde Andará Stephen Fry? (1997), enviada pelo próprio artista, Hilst ligou, propôs a parceria e mandou um disquete com sua obra poética.Foi no disquete que Baleiro descobriu o livro Júbilo Memória Noviciado da Paixão - escrito pela Hilda quando estava apaixonada platonicamente pelo Júlio de Mesquita Neto (vide as iniciais) - e decidiu musicar os versos do capítulo que dá título ao disco.

Depois de dois anos de trabalho, a gravadora de Zeca Baleiro, Saravá Disco, lançou o CD Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio - com poemas de Hilda Hilst musicados pelo artista maranhense.

O disco, segundo Zeca Baleiro, começou a ser gravado em abril de 2003 e teve aval da escritora e a colaboração do violonista Swami Jr. nos arranjos de base. Para musicar os dez poemas, Baleiro buscou uma sonoridade que se encaixasse nos poemas já em essência muito musicais de Hilst. Instrumentos como harpa, oboé e fagote ajudaram a criar o clima. Para dar mais charme ainda ao disco, Baleiro contou com a adesão de dez cantoras para interpretar as canções. Pela ordem de entrada no CD, o time é formado por Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Maria Bethânia, Jussara Silveira, Ângela Ro Ro, Ná Ozzetti, Zélia Duncan, Olívia Byington, Mônica Salmaso e Ângela Maria.

As intérpretes estão à vontade no despudorado universo poético de Hilst. O único deslize é de Ângela Maria, que, por conta de seu estilo naturalmente empostado, ficou meio deslocada. Mas no todo, o trabalho tem bom acabamento melódico, garantido pelo repertório de tom linear que assegura a uniformidade das canções ao mesmo tempo em que conta a história do amor impossível de Ariana e Dionísio. Um dos melhores momentos do disco é a Canção V, interpretada por Angela Ro Ro.

Título: Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio
Artista: Vários
Gravadora: Saravá Discos

*Hilda Hilst faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP).

2 de jun de 2010

“O homem: as viagens”

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.

Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?

Claro – diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto – é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
o acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.

in ANDRADE, Carlos Drummond. Nova reunião: 19 livros de poesia – 3ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. p.448-450
ULYSSES

(Fernando Pessoa)

O Mytho é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mytho brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos creou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade.
E a fecundal-a decorre.
em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

1 de jun de 2010

EU...

Eu queria tanto encontrar
Uma pessoa como eu...

Se eu fosse uma cor: AZUL
Se eu fosse um perfume: JASMIM
Se eu fosse uma flor: GIRASSOL
Se eu fosse um sabor: DOCE
Se eu fosse um doce: SORVETE
Se eu fosse um ritmo: SAMBA
Se eu fosse uma estação: VERÃO
Se eu fosse um horário: MANHÃ
Se eu fosse um lugar: PRAIA
Se eu fosse uma textura: CETIM
Se eu fosse um tecido: ALGODÃO
Se eu fosse uma roupa: VESTIDO
Se eu fosse um calçado: CHINELO
Se eu fosse um acessório: COLAR
Se eu fosse uma música:  A MENINA DANÇA (MORAES MOREIRA)
Se eu fosse um filme: O MÁGICO DE ÓZ (O DE 1939)
Se eu fosse um livro: A BELA E A FERA (CLARICE LISPECTOR)
Se eu fosse uma trilha sonora: O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO (DE 1997)
Se eu fosse um poema: PROFUNDAMENTE (MANUEL BANDEIRA)
Se eu fosse uma banda: OS PARALAMAS DO SUCESSO
Se eu fosse um cantor: ZECA BALEIRO
Se eu fosse uma cantora: MARISA MONTE
Se eu fosse um compositor: CHICO BUARQUE
Se eu fosse um momento: A ETERNIDADE
Se eu fosse uma cidade: RECIFE
Se eu fosse um sentimento: SOLIDÃO
Se eu fosse uma palavra: AMOR
Se eu fosse um dia da semana: SÁBADO
Se eu fosse um videoclipe: ELA DISSE ADEUS (PARALAMAS)
Se eu fosse um álbum: VENTURA
Se eu fosse um desenho: CAVERNA DO DRAGÃO
Se eu fosse uma escritora: CLARICE LISPECTOR
Se eu não fosse eu: TENTARIA CHEGAR MAIS PERTO DE MIM!

23 de mai de 2010

Rumo na sopa do samba antigo

Paulicéia Avant-Garde: Grupo Rumo
GRUPO RUMO EM  1992
O cantor Geraldo Leite, membro do lendário Grupo Rumo, reuniu os antigos companheiros de banda no álbum Sopa de concha, lançamento da Biscoito Fino em parceria com o Instituto Moreira Sales. O disco visita repertório criado entre as décadas de 30 e 40 por grandes compositores. Mas ao invés do fácil caminho dos grandes sucessos de sempre, Geraldo optou por resgatar músicas que caíram em esquecimento.
GRUPO RUMO EM 2010
Entre achados de Geraldo Leite, que havia deixado a música de molho, nas últimas décadas, e lembranças da primeira formação do grupo Rumo, "Sopa de Concha" é uma nova reunião do grupo paulista em torno do apreço deles pela nossa música. Naturalmente, os arranjos podem soar mais modernos, não graças a novos instrumentos, que isso não é bem padrão para estabelecer esta referência, mas a alguns andamentos, um pouco mais acelerados. Caso da "Meu amor não me deixou" (Ary Barroso, 1938), que abre a festa em formidável duo de Ná Ozzetti e dos vocais dobrados por Hélio Ziskind e Geraldo. Formidáveis também, os saxes de Nailor Proveta. Já a faixa-título (Alcyr Pires Vermelho e Pedro Caetano, 1941) com Geraldo agora liderando Ná e Hélio mantém uma cadência mais lenta, evidenciando o respeito aos "antigos", como o grupo Rumo se referia há 30 anos em um disco. Antigos que Geraldo extraiu do imponente acervo de 78 rotações do Instituto Moreira Sales, no Rio. Tendendo para o samba, claro, o novo velho Rumo transgride-se, assim, em direção ao passado. E ao futuro, claro.
Mas a atualidade também se apresenta na segurança com que Hélio Ziskind e Luiz Tatit escracham, por exemplo, "Gosto mais do outro lado" (Assis Valente, 1934), ao arranjo com elementos ousados como o acordeom de Toninho Ferragutti junto ao violão mais "tradição" do próprio Swami Jr. "Era cantada pelo Bando da Lua, num daqueles geniais arranjos do grupo, onde misturavam uma espécie de gaita de pente (imitando sopros), com um trio de violões acústicos e um trio vocal com afinação perfeita", descreve, no encarte, o anfitrião da festa, em sua volta ao grupo. Por sinal, o arranjador tem seu violão junto ao do produtor Mário Manga, outro da formação original.
Fera em transcriações do universo antigo, como atestou em seu recente tributo a Carmen Miranda, Ná Ozzetti se destaca nesta nutritiva Sopa de Geraldo, participando de oito faixas. Ao piano de André Mehmari, parceiro de projetos mais recentes, leva o choro clemildeano "Honrando o nome de uma mulher" (Gadé e Valfrido Silva, 1935). Ela também "cai" na marcha-rancho em "Furacão" (Antônio Nássara e Haroldo Lobo), na segunda voz para Hélio Ziskind. Para ajudar os cariocas a levar suas chuvas torrenciais. Delicioso o arranjo de sopros de Milton Mori. Ná começa a festa na singela declaração de amor de Ary, completada pelo "Não tenho juízo" (Haroldo Lobo e Wilson Batista), do final. Nesse caminho, ela brilha no samba-choro "Juro... Juro" (Paulo Pinheiro e Valdemar Silva, 1939) e no sambão "Fale mal, mas fale de mim" (Ataulfo Alves e Marino Pinto, 1933). E, com Akira Ueno, lembra os sambas de Germano Matias em "Pão com banana" (Cícero Nunes e Portelo Júnior, 1939).
Pedro Mourão, Gal Oppido e Zécarlos Ribeiro dão voz ao baião "Pão Duro" (Assis Valente e Luiz Gonzaga, 1946, já na era pós-Humberto Teixeira do Rei do ritmo). E olha que seu registro original, pelo Lua, era uma marcha militar. O bom-humor do bom baiano Valente e do pernambucano em momento mágico. Mourão está ainda em "Você não tem razão" (Pedro Caetano), junto a Ziskind, o "speaker da estação" na marcha-rancho "PR.Você" (Cristóvão de Alencar e Hervê Cordovil). Geraldo Leite dá o tom da gafieira em "Vida Apertada" (Ciro de Sousa, 1940). "Ser pobre não é defeito/Mas é infelicidade/Nem sequer tenho direito/de gozar a mocidade", diz a saudação a Getúlio. Já o delicado Luiz Tatit dá sua graça novamente a "Não resta a menor dúvida" (Hervé Cordovil e Noel Rosa, 1935). O time do Rumo é completado por Paulo Tatit, no lamartiniano "Menina das Lojas". Outro ingrediente saboroso do sopão do Geraldo.
Sopa de Concha
Geraldo Leite e os amigos do Rumo
Biscoito Fino
2010
15 faixas
http://www.gruporumo.com.br/