23 de out de 2010

"Rasguei seda, comi flores"

Hoje acordei bem cedinho porque havia marcado cabeleireiro para as 9 da manhã, lá no Brás. Fui toda feliz porque adoooro cortar as madeixas. Como dizia famosa letra do Nego Dito: "Mulher... Em caso de dor ponha gelo / Mude o corte de cabelo", mas eu não estava sofrendo não... estava até feliz! O que me faz sofrer é essa agonia de ficar 6 meses sem podar nem as pontinhas... Gente, cabelo cresce!!!
Como tenho mais eventos para ir neste ano e no próximo, vou ter que aguentar mais uns meses com essa juba brotando do juízo. Melhor assim... tenho visto tantas meninas por aí com pouquíssimo cabelo. Tem umas que conheço que vivem com rabo de cavalo para disfarçar as falhas... Perdão, ainda bem que tenho bastantão, não é!
Voltando à letra da música que me inspirou hoje; que vou postar, é claro!; num mundo aonde tudo é cópia, ninguém é como Itamar... Como o mesmo escreveu "Se a obra é a soma das penas: pago, mas quero meu troco em poemas".
Francisco José Itamar de Assumpção no interior de São Paulo em 1949, e, como bom amante de seu Estado, morreu na capital paulista em 2003. O "maldito da MPB" soube muito bem misturar samba com rock e funk, entre outros ritmos, em letras satíricas repletas de crítica social e foi um dos principais nomes das dita "Vanguarda Paulista" do século passado (afffff, eu nasci no século passado!!!!) entre as décadas de 78 e 80. Como mediocre pesquisadora que sou, procurei na Wikipédia mesmo sobre o tal movimento e dizia-se que "a Vanguarda Paulista reuniu artistas que decidiram romper o controle das gravadoras sobre a produção e lançamento de novos talentos nos anos finais da Época das Trevas Modernas(?????). Os representantes desse movimento eram artistas que produziam e lançavam seus trabalhos independentemente das grandes gravadoras. Criavam suas proprias micro-empresas e gerenciavam a si mesmos."
Ao lado de Arrigo Barnabé, Grupo Rumo, Premeditando o Breque, os Pracianos (Dari Luzio, Pedro Lua, Paulo Barroso) e Le Dantas & Cordeiro, Itamar Assupção marcou sua obra basicamente por não ter tido interferência da "ditadura" das gravadoras, o que fez com que sua obra fosse tida por 'difícil' pelos criticos de cultura raza da época. Itamar respondia às críticas de sua maneira, afinal, o duelo verbal lhe apetecia como forma honesta de defender a integridade do artista assim como dava-lhe prazer triturar argumentos dos que com cultura limitada tentavam dirigir o processo de criação do artista. Tecia críticas até sobre si mesmo, pois, seu único LP produzido por uma grande gravadora (Continental, em 1988) recebeu o título de "Intercontinental! Quem diria! Era só o que faltava..".
Para que nunca ouviu... um dos meus preferidos! Na composição Itamar Assumpção e Alice Ruiz. Do álbum BICHO DE 7 CABEÇAS VOL. II - ITAMAR ASSUMPÇÃO E AS ORQUÍDEAS DO BRASIL lançado em 1994 pela gravadora Baratos Afins.

Milágrimas

Composição: Itamar Assumpção - Alice Ruiz

Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido

A cada milágrimas sai um milagre

Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço

A cada milágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre

A cada milágrimas sai um milagre

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