17 de out de 2010

O AMOR DO PEQUENO PRÍNCIPE: cartas a uma desconhecida

Li esse livro ontem enquanto descansava de minhas desventuras pela 15ª Fest Comix,sentadinha no espaço Juvenil da Fnac Paulista.
O livro é curtinho e de rápida leitura. Contém aquarelas e cartas inéditas do autor de "O Pequeno Príncipe" para uma desconhecida como uma inveção de um amor do princepezinho e o desdém que Antoine de Saint-Exupéry parece sentir por parte de sua amada.
Achei o site: http://www.oamordopequenoprincipe.com.br/home.asp do livro que é muito bonito e bem montado como o próprio livro. A imagem abaixo é de um dos links do site e, como sempre, dá pra perceber que Exupéry foi insuperável.


Segue uma das cartas do livro, não a que eu tenha achado mais bela, mas, sem dúvida a mais emocionante.
Boa leitura.

"Desde agora, cinco horas da tarde, até a hora em que for dormir, estarei sozinho, porque disse a todos os meus amigos que estava muito cansado e não queria ver ninguém.
A menininha para quem cuidadosamente reservei esse tempo livre nem se deu o trabalho de me avisar que não viria.
Descubro com melancolia que o meu egoísmo não era tão grande assim, pois dei ao outro o poder de me magoar.
Meninina, foi com carinho que lhe dei esse poder. É com melancolia que a vejo usá-lo.
Os contos de fada são assim. Uma manhã, a gente acorda e diz: "Era só um conto de fadas..." E a gente sorri de si mesma. Mas, no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida.
A espera, os passos leves. Depois as horas que correm frescas como um riacho em meio à relva sobre seixos brancos. Os sorrisos, as palavras sem importância que são tão importantes. Escutamos a música do coração: é linda, linda para quem sabe ouvir...
Queremos muitas coisas, é claro. Queremos colher todos os frutos e todas as flores. Queremos sentir o cheiro de todos os campos. Queremos brincar. Será mesmo brincar? Nunca sabemos onde começa a brincadeira nem onde ela acaba, mas sabemos que somos carinhosos. E ficamos felizes.
Não gosto da estação interior que substituiu minha primavera: uma mistura de decepção, de secura e de rancor. Mergulho num tempo vazio onde não tenho mais motivo para sonhar. O mais triste num sofrimento é se perguntar : "Vale a pena?"
Vale a pena todo esse sofrimento por quem nem mesmo pensa em avisar? Certamente não. Então nem sofrimento se tem mais, e isto é ainda mais triste.
Não há Pequeno Príncipe hoje, nem haverá nunca mais. O Pequeno Prícipe morreu. Ou então tornou-se cético. Um Pequeno Principe cético não é mais um Pequeno Príncipe. Fiquei magoado com você por tê-lo destruído.
Também não haverá mais carta, nem telefonema, nem sinal. Não fui muito prudente, e não pensei que pouco a pouco, com isso, arriscava um pouco de sofrimento. Mas eis que me feri na roseira ao colher uma rosa.
A roseira dirá: "Que importância eu tinha para você?" Chupo meu dedo, que sangra um pouquinho, e respondo: "Nenhuma, roseira, nenhuma. Nada tem importância na vida. (Nem mesmo a vida.) Adeus roseira.""


A.

Um comentário:

  1. Obrigada, querida, por ter postado esse trechinho. Acabo de saber desse livro por conta de uma frase que uma amiga postou no Face e fiquei maluca por saber mais!!!
    Bjks.
    PS: tendo tempinho, visite meu blog: http://elianabariel.blogspot.com

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