MY GIRL
(The Temptations)
I've got sunshine on a cloudy day
When it's cold outside
I've got the month of may
I guess you'll say
What can make me feel this way
My girl
Talking about my girl
My girl
I've got so much honey
The bees envy me
I've got a sweeter song
Than the birds in the trees
Well I guess you'll say
What can make me feel this way
My girl
Talking about my girl
My girl
I don't need no money
Fortune or fame
I've got all the riches baby
One man can claim
Well I guess you'll say
What can make me feel this way
My girl
Talking about my girl
My girl
I've got sunshine on a cloudy day
My girl
I've even got the month of may with my girl
Sempre escrevi: nas capas dos livros, em agendas, infinitos cadernos, folhas avulsas... Constantemente manifesto minhas impressões. A partir de hoje, passarei a canalizar tudo neste espacinho virtual para compartilhar com o maior número de pessoas as minhas fartas visões.
22 de ago. de 2010
4 de ago. de 2010
O FILHO QUE EU QUERO TER
O pai é um amigo especial, diferente dos outros amigos por ter autoridade, identidade própria, credibilidade, transparência e imagem nitidamente definida, ou seja, não é o Bicho-Papão que corrige os problemas ao chegar em casa. Estudos psicológicos dos desvios da personalidade mostraram que o pai participa de forma completa na organização ou desorganização da personalidade do filho. O pai é o primeiro "outro" percebido pela criança como personagem fora da mãe. Ser pai, portanto, é participar de forma efetiva desde a concepção, tendo como elemento fundamental o Amor.
Hoje presenciei uma das cenas mais tristes da minha vida: um colega de trabalho, no desabrochar de seus 20 anos, PAI de um lindo bebezinho de uma gestação de 4 meses, chorando desesperadamente ao receber a notícia que o coraçãozinho do seu filho não batia mais na barriga da mãe.
Foi de cortar o coração... Todo o carinho que ele tinha e depositava naquele que seria o seu sonho, o seu projeto para o futuro, o seu próprio futuro... uma vida que era sua também.
Espero que entenda que agora seu menino virou anjinho da guarda.
Vinícius de Moraes escreveu a letra abaixo para uma canção feita a Toquinho pelos idos de 1974, quando o compositor confessou o desejo de ter um filho.Vinícius disse: "Que ótimo! Vamos sonhar com esse momento."
É uma das letras mais belas sobre a relação de pai e filho que já vi... Tomo para mim as palavras de Otto Lara Resende "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes".
Homenageio o Damião, papai desolado, meu pai, por ter sonhado por mim desde que soube que eu existia e a todos os bons pais deste mundo. Também ao pai que escolhi para os meus filhos.
O Filho Que Eu Quero Ter
Música: Toquinho
Letra: Vinicius de Moraes
É comum a gente sonhar, eu sei,
Quando vem o entardecer;
Pois, eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer.
um berço e nele eu me debruçar
com um pranto a mim correr
e assim chorando acalentar
o filho que eu quero ter.
Dorme, meu pequenininho
Dorme, que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem.
De repente eu o vejo se transformar
No menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim.
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim.
Dorme, menino levado
Dorme, que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem.
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu,
[Sentir-lhe] a barba me roçar
No derradeiro beijo seu.
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus,
[Ouvir-lhe] a voz a me embalar
Num acalanto de adeus.
Dorme, meu pai sem cuidado
Dorme, que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter.
Hoje presenciei uma das cenas mais tristes da minha vida: um colega de trabalho, no desabrochar de seus 20 anos, PAI de um lindo bebezinho de uma gestação de 4 meses, chorando desesperadamente ao receber a notícia que o coraçãozinho do seu filho não batia mais na barriga da mãe.
Foi de cortar o coração... Todo o carinho que ele tinha e depositava naquele que seria o seu sonho, o seu projeto para o futuro, o seu próprio futuro... uma vida que era sua também.
Espero que entenda que agora seu menino virou anjinho da guarda.
Vinícius de Moraes escreveu a letra abaixo para uma canção feita a Toquinho pelos idos de 1974, quando o compositor confessou o desejo de ter um filho.Vinícius disse: "Que ótimo! Vamos sonhar com esse momento."
É uma das letras mais belas sobre a relação de pai e filho que já vi... Tomo para mim as palavras de Otto Lara Resende "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes".
Homenageio o Damião, papai desolado, meu pai, por ter sonhado por mim desde que soube que eu existia e a todos os bons pais deste mundo. Também ao pai que escolhi para os meus filhos.
O Filho Que Eu Quero Ter
Música: Toquinho
Letra: Vinicius de Moraes
É comum a gente sonhar, eu sei,
Quando vem o entardecer;
Pois, eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer.
um berço e nele eu me debruçar
com um pranto a mim correr
e assim chorando acalentar
o filho que eu quero ter.
Dorme, meu pequenininho
Dorme, que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem.
De repente eu o vejo se transformar
No menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim.
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim.
Dorme, menino levado
Dorme, que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem.
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu,
[Sentir-lhe] a barba me roçar
No derradeiro beijo seu.
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus,
[Ouvir-lhe] a voz a me embalar
Num acalanto de adeus.
Dorme, meu pai sem cuidado
Dorme, que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter.
1 de ago. de 2010
BRILHA UMA ESTRELA
Vocês já acordaram algum dia com muito orgulho de alguma pessoa? Sei lá, por ter sua amizade, por reconhecer seu talento, por ter acompanhado os passos de sua evolução e compartilhar a apoteose de um destino triunfante?
Amanheci assim hoje, exaltante de felicidade pelo sucesso da minha amiga Roberta.
Posto abaixo um video da apresentação "Deméter" em que a Roberta aparece no centro do palco em primeiro plano. Não é uma estrela essa minha amiga? Amo!!!!!!!!!!
Como não poderia faltar por parte desta que vos escreve, estudante de letras, e, olhem só a coincidência, de grego arcaico... posto um pouquinho do que sei e do que li em Hesíodo sobre a deusa para que compreendam essa parte do espetáculo.
Deméter , em grego Δημήτηρ, filha de Cronos e Réia, é a deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano. Enquanto deusa da agricultura, fez longas viagens com Dionísio ensinando os homens a cuidarem da terra e das plantações. Com Zeus, seu irmão, teve uma filha, Perséfone, cujo epíteto era "a de braços brancos" e com com o mortal herói cretense Etion teve o deus Plutus (segundo Hesíodo em "Os trabalhos e os dias").
Perséfone foi raptada pelo deus Hades , que a levou para seu reino subterrâneo, deixando Deméter desesperada a ponto de sair pelo mundo dos homens sem comer e nem descansar. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto sua filha não lhe fosse devolvida, e culpando a terra por ter aberto a passagem para Hades levar sua amada filha. Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem comida a população sofria de fome e doenças. A fonte Aretusa contou a ela que a terra abriu-se de má vontade, obedecendo às ordens de Hades e que Perséfone estava no Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos mortos.
Com a situação caótica em que estava a terra estéril, Zeus pediu a Hades que devolvesse Perséfone. Ele concordou, porém antes, fê-la comer um bago de romã e assim a prendeu para sempre aos infernos, pois quem comesse qualquer alimento nessa região ficava obrigado a retornar. Com isso, ficou estabelecido que Perséfone passaria um período do ano com a mãe, e outro com Hades, quando é chamada Proserpina. O primeiro período corresponde à primavera, em que os grãos brotam, saindo da terra assim como Proserpina. Neste período Perséfone é chamada Core, a moça. O segundo é o da semeadura de outono, quando os grãos são enterrados, da mesma forma que Perséfone volta a ser Proserpina no reino do seu marido.
Os Mistérios de Elêusis, celebrados no culto à deusa, na Grécia, interpretam essa lenda como um símbolo contínuo de morte e ressurreição (segundo a "Teogonia").
Tem tudo a ver com a Roberta, a questão de semear, de agrupar de transmitir o carinho materno e florescer alegria. Ela é assim, e um pouquinho muito mais!
DEMÉTER: "Deusa Das Estações".
Integrantes: Cintia, Josiane, Karina, Mônica, Renata, Roberta Carolina, Sandra e Valéria Vasconcelos.
Show realizado no Teatro Santo Agostinho 31/07/2010.
Amanheci assim hoje, exaltante de felicidade pelo sucesso da minha amiga Roberta.
Papai, Namorado, Mamãe e irmão orgulhosos
Rô, continue linda, radiante, maravilhosa e leve! Você sempre encherá os corações de seus amigos, familiares e do nosso Mala (mais seu do que nosso) de muito amor e felicidade!AMIGOS ORGULHOSOS: Ana, Lilian, Ricado, Patricia e Raquel
Assisti espetáculo "Deuses da Mitologia Grega" junto ao grupo coreografado pela bela Kahina. Lindo!!!Posto abaixo um video da apresentação "Deméter" em que a Roberta aparece no centro do palco em primeiro plano. Não é uma estrela essa minha amiga? Amo!!!!!!!!!!
Como não poderia faltar por parte desta que vos escreve, estudante de letras, e, olhem só a coincidência, de grego arcaico... posto um pouquinho do que sei e do que li em Hesíodo sobre a deusa para que compreendam essa parte do espetáculo.
Deméter , em grego Δημήτηρ, filha de Cronos e Réia, é a deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano. Enquanto deusa da agricultura, fez longas viagens com Dionísio ensinando os homens a cuidarem da terra e das plantações. Com Zeus, seu irmão, teve uma filha, Perséfone, cujo epíteto era "a de braços brancos" e com com o mortal herói cretense Etion teve o deus Plutus (segundo Hesíodo em "Os trabalhos e os dias").
Perséfone foi raptada pelo deus Hades , que a levou para seu reino subterrâneo, deixando Deméter desesperada a ponto de sair pelo mundo dos homens sem comer e nem descansar. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto sua filha não lhe fosse devolvida, e culpando a terra por ter aberto a passagem para Hades levar sua amada filha. Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem comida a população sofria de fome e doenças. A fonte Aretusa contou a ela que a terra abriu-se de má vontade, obedecendo às ordens de Hades e que Perséfone estava no Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos mortos.
Com a situação caótica em que estava a terra estéril, Zeus pediu a Hades que devolvesse Perséfone. Ele concordou, porém antes, fê-la comer um bago de romã e assim a prendeu para sempre aos infernos, pois quem comesse qualquer alimento nessa região ficava obrigado a retornar. Com isso, ficou estabelecido que Perséfone passaria um período do ano com a mãe, e outro com Hades, quando é chamada Proserpina. O primeiro período corresponde à primavera, em que os grãos brotam, saindo da terra assim como Proserpina. Neste período Perséfone é chamada Core, a moça. O segundo é o da semeadura de outono, quando os grãos são enterrados, da mesma forma que Perséfone volta a ser Proserpina no reino do seu marido.
Os Mistérios de Elêusis, celebrados no culto à deusa, na Grécia, interpretam essa lenda como um símbolo contínuo de morte e ressurreição (segundo a "Teogonia").
Tem tudo a ver com a Roberta, a questão de semear, de agrupar de transmitir o carinho materno e florescer alegria. Ela é assim, e um pouquinho muito mais!
DEMÉTER: "Deusa Das Estações".
Integrantes: Cintia, Josiane, Karina, Mônica, Renata, Roberta Carolina, Sandra e Valéria Vasconcelos.
Show realizado no Teatro Santo Agostinho 31/07/2010.
31 de jul. de 2010
RAQUEL
(Jorge Drexler)
Busca mis ojos
toma mi mano, acércate
Este es tu sitio
esta es tu taza de café
No digas nada
dices con la mirada mas de lo que crees
A la deriva llevas el alma en el timón
Vas por la vida sólo buscando el corazón
Buscas un puerto, buscas un cielo abierto
lejos del dolor
Ooh... Raquel
Tanto camino, tanto buscarte en outra piel
A tu destino, querías mantenerte fiel
Princesa herida
el teatro de la vida
cambia tu papel
Ooh... Raquel
Do álbum do Nenhum de Nós, "Pequeno Universo" lançado em 2005.
Busca mis ojos
toma mi mano, acércate
Este es tu sitio
esta es tu taza de café
No digas nada
dices con la mirada mas de lo que crees
A la deriva llevas el alma en el timón
Vas por la vida sólo buscando el corazón
Buscas un puerto, buscas un cielo abierto
lejos del dolor
Ooh... Raquel
Tanto camino, tanto buscarte en outra piel
A tu destino, querías mantenerte fiel
Princesa herida
el teatro de la vida
cambia tu papel
Ooh... Raquel
Do álbum do Nenhum de Nós, "Pequeno Universo" lançado em 2005.
20 de jul. de 2010
AOS AMIGOS QUE SEMPRE TEREI...
Comemorei o meu primeiro dia do Amigo aos 15 anos. Me lembro de termos ouvido na extinta Rádio Cidade que no dia 20 de julho era celebrada a amizade, e, me lembro também de termos dito uns aos outros que não poderíamos esquecer aquela data pois se tratava do dia do aniversário de nosso grande amigo Binho.
Passaram-se onze anos, sempre me lembrarei daquele dia e do que aquele momento significou. Estavamos cravando uma amizade que começara alguns anos antes e preparando terreno para que outros amigos pudessem vir... e assim foi!
Passaram-se onze anos, sempre me lembrarei daquele dia e do que aquele momento significou. Estavamos cravando uma amizade que começara alguns anos antes e preparando terreno para que outros amigos pudessem vir... e assim foi!
Agradeço, hoje, através desta postagem, a todos os que compartilharam sua vidas comigo. Que me abraçaram ou rejeiitaram, sorriram pra mim, e, as vezes, de mim... aos que entenderam que meu desejo de voar através da poesia, quando mais jovem, e, hoje, através da prosa não era por vontade de sumir de suas vidas, mas para poder levar-lhes através de outras possibilidades... Acho que puderam entender que literatura era tão importante para mim quanto suas presenças constantes ao meu lado.
Ganhei novos amigos durante este tempo e se tornaram tão importantes que penso não poder mais viver sem a atenção de seus mimos. Amo-os sempre, e para sempre.
Celebremos aos amigos de ontem, os que escolhiam seu primeiro livrinho lá na pequena biblioteca do Borges e aos de hoje que ajudam a compor o imaginário da literatura infantil deste país... celebremos os amigos que leram comigo o lilho "Amor e cuba libre" e mais tarde me proporcionaram a emoção de conhecer a cuba e depois o amor.
Celebremos aos eternos amores e às constelares amizades. Aos de hoje e aos de todos os tempos. Amigo é mesmo coisa pra se guardar e para compartilhar!
10 de jul. de 2010
ISMÁLIA
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Alphonsus de Guimarãens. Publicado no livro Pastoral aos crentes do amor e da morte: este poema, integrante da série "As Canções", foi incluído no livro “Os cem melhores poemas brasileiros do século”, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2001, pág. 45, uma seleção de Ítalo Moriconi.
1 de jul. de 2010
1º DE JULHO
A Tempestade ou O Livro dos Dias, é o sétimo (númro sugestivo, não?) disco da banda brasileira de rock Legião Urbana, lançado em 20 de Setembro de 1996. É o último disco lançado pelo líder da banda, Renato Russo, ainda em vida. Segundo entrevista de Renato, o álbum foi lançado com dois nomes porque, enquanto ele preferia "A Tempestade", Bonfá preferia "O Livro dos Dias". Apesar dos dois nomes, apenas A Tempestade aparece na capa. Este nome também é uma referência a última peça de William Shakespeare, denominada também A Tempestade.
Foi o primeiro álbum produzido pelo guitarrista Dado Villa-Lobos, embora o crédito também leve o nome da banda: "Produzido por Dado Villa-Lobos e Legião Urbana".
Gravado entre janeiro e junho de 1996, no estúdio carioca AR Estúdios, foi planejado para ser um disco duplo, pois foram também gravadas canções que fariam parte do póstumo Uma Outra Estação, porém, a proposta foi novamente recusada, assim como o projeto "Mitologia e Intuição" (que originou os álbuns Dois e Que País É Este 1978/1987). Durante as gravações, Renato Russo não quis gravar vozes definitivas para todas as músicas, fazendo-o apenas na canção "A Via Láctea", e, por isso, as outras canções contam com a voz-guia (primeira voz gravada para a música). Grande parte dos arranjos estava pronta desde o fim de 1995.
A maioria das letras do disco (escritas em 1996, durante os sintomas da doença de Russo) são consideradas melancólicas e tristes, como se pode ver em canções como Mil Pedaços, Quando Você Voltar e Longe do Meu Lado, além de canções mais introspectivas, como O Livro dos Dias (que também é um dos nomes do disco) e Soul Parsifal (parceria inédita de Renato Russo com a cantora Marisa Monte). Há também espaço para letras mais cotidianas e alegres, como Leila, 1º de Julho (composta para Cássia Eller, que a gravou primeiramente) e Dezesseis (que fala sobre um jovem de Brasília, amante do rock, que falece aos 16 anos ao disputar um "racha" - corrida ilegal entre carros). A faixa "Dezesseis", além de citar Janis Joplin, Led Zeppelin, Rolling Stones e os Beatles, também cita uma música destes últimos: Strawberry Fields Forever. A faixa "1º de Julho" fora feita por Russo para Cássia Eller, que a gravou no disco Cássia Eller, em 1994. Foi gravada durante as sessões de gravação de The Stonewall Celebration Concert, primeiro disco-solo do cantor, em 1994. A principal canção do disco é A Via Láctea, com letra bastante depressiva, apesar do otimismo de seu refrão "Quando tudo está perdido / Sempre existe um caminho / Quando tudo está perdido / Sempre existe uma luz".
As primeiras edições do disco vieram com uma capa especial em formatação de livro (no mesmo formato em que foi lançado Equilibrio Distante, segundo álbum solo de Renato Russo). Renato recusou-se a tirar fotos para o álbum, tendo sido usada uma foto tirada durante as sessões de fotos de "Equilibrio Distante". Mais tarde, ambos os discos foram relançados na caixa tradicional, de plástico. Em "A Tempestade", não constam agradecimentos e nem a tradicional frase "Urbana Legio Omnia Vincit" (Legião Urbana a tudo vence) e "Ouça no volume máximo". Em seu lugar, foi escolhida uma frase do escritor modernista brasileiro Oswald de Andrade: "O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus".
Posto a versão acústicada Cássia, porque todos hão de convir que a escolha da música pela intérprete foi perfeita. Ninguém carntaria melhor... mil perdões Renato!
25 de jun. de 2010
ANJO
e um anjo me sussurra com calma
as encruzilhas,
as estradas desconhecidas.
Todos os meus anseios
estão em suas mãos
e com seu hálito me acalma,
me acalanta.
Durma, ele me diz, sentado
na beira de minha sombra,
não tenha medo dos sonhos.
22 de jun. de 2010
A FALTA
A morte (do latim mors), o óbito (do latim obitu), falecimento ou passamento são termos que podem referir-se tanto ao término da vida de um organismo como ao estado desse organismo depois do evento.
A morte é o fenômeno natural que mais se tem discutido tanto em religião, ciência, opiniões diversas. O Homem, desde o princípio dos tempos, tem a caracterizado com misticismo, magia, mistério, segredo. Para os céticos, a morte compreende o cessar da consciência, exatamente quando o cérebro deixa de executar suas funcionalidades.
É o cessar da vida, seja ela física, moral, intelectual, jurídica, morrida ou matada. A morte é também o jeito que Deus tem de te mostrar que você é procurado. Em algumas religiões a morte é considerada como uma salvação, como um marco que será relembrado por todos e até pelo Deus em questão. Mas ainda há quem diga que a morte é a passagem da vida na Terra para a vida no Céu ou no Inferno . Mas também acredita-se que a morte é apenas um cortador de cana, solitário, que ainda não encontrou amigos para conviver, e fica andando com roupas pretas e uma foice (seu objeto de estimação) para tentar chamar a atenção de EMO's que gostam de seu jeito de viver. A morte também gosta de visitar sem aviso, se ela bater na sua porta, não atenda... ou atenda vai ser um a menos!
Não sei porque ainda associo a imagem da morte à embarcação do Caronte... coisas de pensamento grego...
Quando morremos estamos apenas retornando para a nossa verdadeira vida. Nossa estadia na Terra é temporária e muito curta. A vida do espírito é eterna, a vida é passageira e curta e um dia todos nós iremos nos encontrar. Todas as lágrimas e sofrimento que temos depois da morte de nossos parentes é inútil, é perder tempo e poderia ser evitado se todos tivessem um entendimento mais claro sobre a vida e a morte.Isso tudo não elimina a tristeza...
15 de jun. de 2010
A LÍNGUA MÃE
Não sinto o mesmo gosto nas palavras:
Oiseau e pássaro
Embora elas tenham o mesmo sentido.
Será pelo gosto que vem de mãe? de língua mãe?
Seria porque não tenho amor pela língua de Flaubert?
Mas eu tenho.
(Faço esse registro
porque tenho a estupefação de não sentir com a mesma riqueza
as palavras oiseau e pássaro)
Penso que seja porque a palavra pássaro em
mim repercute a infância
E oiseau não repercute.
Penso que a palavra pássaro carrega até hoje
Nela o menino que ia de tarde pra
debaixo das árvores a ouvir os pássaros.
Nas folhas daquelas árvores não tinha oiseaux
Só tinha pássaros.
É o que me ocorre sobre língua mãe.
Manoel de Barros – In: O fazedor de amanhecer, 2001
Oiseau e pássaro
Embora elas tenham o mesmo sentido.
Será pelo gosto que vem de mãe? de língua mãe?
Seria porque não tenho amor pela língua de Flaubert?
Mas eu tenho.
(Faço esse registro
porque tenho a estupefação de não sentir com a mesma riqueza
as palavras oiseau e pássaro)
Penso que seja porque a palavra pássaro em
mim repercute a infância
E oiseau não repercute.
Penso que a palavra pássaro carrega até hoje
Nela o menino que ia de tarde pra
debaixo das árvores a ouvir os pássaros.
Nas folhas daquelas árvores não tinha oiseaux
Só tinha pássaros.
É o que me ocorre sobre língua mãe.
Manoel de Barros – In: O fazedor de amanhecer, 2001
8 de jun. de 2010
Zeca Hilst
"Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
O texto é velhinho, mas o disco vale muito a pena.... Amo o Baleiro e a Hilda diz muito do que eu gostaria de dizer!
A poesia sonora de Hilda Hilst no baleiro de Zeca
Foi por iniciativa de Hilda Hilst (1930 -2004) que Zeca Baleiro se tornou parceiro da poeta paulista. Ao receber uma cópia do primeiro disco do compositor maranhense, Por Onde Andará Stephen Fry? (1997), enviada pelo próprio artista, Hilst ligou, propôs a parceria e mandou um disquete com sua obra poética.Foi no disquete que Baleiro descobriu o livro Júbilo Memória Noviciado da Paixão - escrito pela Hilda quando estava apaixonada platonicamente pelo Júlio de Mesquita Neto (vide as iniciais) - e decidiu musicar os versos do capítulo que dá título ao disco.
Depois de dois anos de trabalho, a gravadora de Zeca Baleiro, Saravá Disco, lançou o CD Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio - com poemas de Hilda Hilst musicados pelo artista maranhense.
O disco, segundo Zeca Baleiro, começou a ser gravado em abril de 2003 e teve aval da escritora e a colaboração do violonista Swami Jr. nos arranjos de base. Para musicar os dez poemas, Baleiro buscou uma sonoridade que se encaixasse nos poemas já em essência muito musicais de Hilst. Instrumentos como harpa, oboé e fagote ajudaram a criar o clima. Para dar mais charme ainda ao disco, Baleiro contou com a adesão de dez cantoras para interpretar as canções. Pela ordem de entrada no CD, o time é formado por Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Maria Bethânia, Jussara Silveira, Ângela Ro Ro, Ná Ozzetti, Zélia Duncan, Olívia Byington, Mônica Salmaso e Ângela Maria.
As intérpretes estão à vontade no despudorado universo poético de Hilst. O único deslize é de Ângela Maria, que, por conta de seu estilo naturalmente empostado, ficou meio deslocada. Mas no todo, o trabalho tem bom acabamento melódico, garantido pelo repertório de tom linear que assegura a uniformidade das canções ao mesmo tempo em que conta a história do amor impossível de Ariana e Dionísio. Um dos melhores momentos do disco é a Canção V, interpretada por Angela Ro Ro.
Título: Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio
Artista: Vários
Gravadora: Saravá Discos
*Hilda Hilst faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP).
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse"
O texto é velhinho, mas o disco vale muito a pena.... Amo o Baleiro e a Hilda diz muito do que eu gostaria de dizer!
A poesia sonora de Hilda Hilst no baleiro de Zeca
Foi por iniciativa de Hilda Hilst (1930 -2004) que Zeca Baleiro se tornou parceiro da poeta paulista. Ao receber uma cópia do primeiro disco do compositor maranhense, Por Onde Andará Stephen Fry? (1997), enviada pelo próprio artista, Hilst ligou, propôs a parceria e mandou um disquete com sua obra poética.Foi no disquete que Baleiro descobriu o livro Júbilo Memória Noviciado da Paixão - escrito pela Hilda quando estava apaixonada platonicamente pelo Júlio de Mesquita Neto (vide as iniciais) - e decidiu musicar os versos do capítulo que dá título ao disco.
Depois de dois anos de trabalho, a gravadora de Zeca Baleiro, Saravá Disco, lançou o CD Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio - com poemas de Hilda Hilst musicados pelo artista maranhense.
O disco, segundo Zeca Baleiro, começou a ser gravado em abril de 2003 e teve aval da escritora e a colaboração do violonista Swami Jr. nos arranjos de base. Para musicar os dez poemas, Baleiro buscou uma sonoridade que se encaixasse nos poemas já em essência muito musicais de Hilst. Instrumentos como harpa, oboé e fagote ajudaram a criar o clima. Para dar mais charme ainda ao disco, Baleiro contou com a adesão de dez cantoras para interpretar as canções. Pela ordem de entrada no CD, o time é formado por Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Maria Bethânia, Jussara Silveira, Ângela Ro Ro, Ná Ozzetti, Zélia Duncan, Olívia Byington, Mônica Salmaso e Ângela Maria.
As intérpretes estão à vontade no despudorado universo poético de Hilst. O único deslize é de Ângela Maria, que, por conta de seu estilo naturalmente empostado, ficou meio deslocada. Mas no todo, o trabalho tem bom acabamento melódico, garantido pelo repertório de tom linear que assegura a uniformidade das canções ao mesmo tempo em que conta a história do amor impossível de Ariana e Dionísio. Um dos melhores momentos do disco é a Canção V, interpretada por Angela Ro Ro.
Título: Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio
Artista: Vários
Gravadora: Saravá Discos
*Hilda Hilst faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP).
2 de jun. de 2010
“O homem: as viagens”
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro – diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto – é isto?
idem
idem
idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
o acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
in ANDRADE, Carlos Drummond. Nova reunião: 19 livros de poesia – 3ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. p.448-450
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro – diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto – é isto?
idem
idem
idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
o acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
in ANDRADE, Carlos Drummond. Nova reunião: 19 livros de poesia – 3ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. p.448-450
ULYSSES
(Fernando Pessoa)
O Mytho é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mytho brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos creou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade.
E a fecundal-a decorre.
em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
(Fernando Pessoa)
O Mytho é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mytho brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos creou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade.
E a fecundal-a decorre.
em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
1 de jun. de 2010
EU...
Uma pessoa como eu...
Se eu fosse uma cor: AZUL
Se eu fosse um perfume: JASMIMSe eu fosse uma flor: GIRASSOL
Se eu fosse um sabor: DOCE
Se eu fosse um doce: SORVETE
Se eu fosse um ritmo: SAMBA
Se eu fosse uma estação: VERÃO
Se eu fosse um horário: MANHÃ
Se eu fosse um lugar: PRAIA
Se eu fosse uma textura: CETIM
Se eu fosse um tecido: ALGODÃO
Se eu fosse uma roupa: VESTIDO
Se eu fosse um calçado: CHINELO
Se eu fosse um acessório: COLAR
Se eu fosse uma música: A MENINA DANÇA (MORAES MOREIRA)
Se eu fosse um filme: O MÁGICO DE ÓZ (O DE 1939)
Se eu fosse um livro: A BELA E A FERA (CLARICE LISPECTOR)
Se eu fosse uma trilha sonora: O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO (DE 1997)
Se eu fosse um poema: PROFUNDAMENTE (MANUEL BANDEIRA)
Se eu fosse uma banda: OS PARALAMAS DO SUCESSO
Se eu fosse um cantor: ZECA BALEIRO
Se eu fosse uma cantora: MARISA MONTE
Se eu fosse um compositor: CHICO BUARQUE
Se eu fosse um momento: A ETERNIDADE
Se eu fosse uma cidade: RECIFE
Se eu fosse um sentimento: SOLIDÃO
Se eu fosse uma palavra: AMOR
Se eu fosse um dia da semana: SÁBADO
Se eu fosse um videoclipe: ELA DISSE ADEUS (PARALAMAS)
Se eu fosse um álbum: VENTURA
Se eu fosse um desenho: CAVERNA DO DRAGÃO
Se eu fosse uma escritora: CLARICE LISPECTOR
Se eu não fosse eu: TENTARIA CHEGAR MAIS PERTO DE MIM!
23 de mai. de 2010
Rumo na sopa do samba antigo
Paulicéia Avant-Garde: Grupo Rumo
O cantor Geraldo Leite, membro do lendário Grupo Rumo, reuniu os antigos companheiros de banda no álbum Sopa de concha, lançamento da Biscoito Fino em parceria com o Instituto Moreira Sales. O disco visita repertório criado entre as décadas de 30 e 40 por grandes compositores. Mas ao invés do fácil caminho dos grandes sucessos de sempre, Geraldo optou por resgatar músicas que caíram em esquecimento.
Entre achados de Geraldo Leite, que havia deixado a música de molho, nas últimas décadas, e lembranças da primeira formação do grupo Rumo, "Sopa de Concha" é uma nova reunião do grupo paulista em torno do apreço deles pela nossa música. Naturalmente, os arranjos podem soar mais modernos, não graças a novos instrumentos, que isso não é bem padrão para estabelecer esta referência, mas a alguns andamentos, um pouco mais acelerados. Caso da "Meu amor não me deixou" (Ary Barroso, 1938), que abre a festa em formidável duo de Ná Ozzetti e dos vocais dobrados por Hélio Ziskind e Geraldo. Formidáveis também, os saxes de Nailor Proveta. Já a faixa-título (Alcyr Pires Vermelho e Pedro Caetano, 1941) com Geraldo agora liderando Ná e Hélio mantém uma cadência mais lenta, evidenciando o respeito aos "antigos", como o grupo Rumo se referia há 30 anos em um disco. Antigos que Geraldo extraiu do imponente acervo de 78 rotações do Instituto Moreira Sales, no Rio. Tendendo para o samba, claro, o novo velho Rumo transgride-se, assim, em direção ao passado. E ao futuro, claro.
Mas a atualidade também se apresenta na segurança com que Hélio Ziskind e Luiz Tatit escracham, por exemplo, "Gosto mais do outro lado" (Assis Valente, 1934), ao arranjo com elementos ousados como o acordeom de Toninho Ferragutti junto ao violão mais "tradição" do próprio Swami Jr. "Era cantada pelo Bando da Lua, num daqueles geniais arranjos do grupo, onde misturavam uma espécie de gaita de pente (imitando sopros), com um trio de violões acústicos e um trio vocal com afinação perfeita", descreve, no encarte, o anfitrião da festa, em sua volta ao grupo. Por sinal, o arranjador tem seu violão junto ao do produtor Mário Manga, outro da formação original.
Fera em transcriações do universo antigo, como atestou em seu recente tributo a Carmen Miranda, Ná Ozzetti se destaca nesta nutritiva Sopa de Geraldo, participando de oito faixas. Ao piano de André Mehmari, parceiro de projetos mais recentes, leva o choro clemildeano "Honrando o nome de uma mulher" (Gadé e Valfrido Silva, 1935). Ela também "cai" na marcha-rancho em "Furacão" (Antônio Nássara e Haroldo Lobo), na segunda voz para Hélio Ziskind. Para ajudar os cariocas a levar suas chuvas torrenciais. Delicioso o arranjo de sopros de Milton Mori. Ná começa a festa na singela declaração de amor de Ary, completada pelo "Não tenho juízo" (Haroldo Lobo e Wilson Batista), do final. Nesse caminho, ela brilha no samba-choro "Juro... Juro" (Paulo Pinheiro e Valdemar Silva, 1939) e no sambão "Fale mal, mas fale de mim" (Ataulfo Alves e Marino Pinto, 1933). E, com Akira Ueno, lembra os sambas de Germano Matias em "Pão com banana" (Cícero Nunes e Portelo Júnior, 1939).
Pedro Mourão, Gal Oppido e Zécarlos Ribeiro dão voz ao baião "Pão Duro" (Assis Valente e Luiz Gonzaga, 1946, já na era pós-Humberto Teixeira do Rei do ritmo). E olha que seu registro original, pelo Lua, era uma marcha militar. O bom-humor do bom baiano Valente e do pernambucano em momento mágico. Mourão está ainda em "Você não tem razão" (Pedro Caetano), junto a Ziskind, o "speaker da estação" na marcha-rancho "PR.Você" (Cristóvão de Alencar e Hervê Cordovil). Geraldo Leite dá o tom da gafieira em "Vida Apertada" (Ciro de Sousa, 1940). "Ser pobre não é defeito/Mas é infelicidade/Nem sequer tenho direito/de gozar a mocidade", diz a saudação a Getúlio. Já o delicado Luiz Tatit dá sua graça novamente a "Não resta a menor dúvida" (Hervé Cordovil e Noel Rosa, 1935). O time do Rumo é completado por Paulo Tatit, no lamartiniano "Menina das Lojas". Outro ingrediente saboroso do sopão do Geraldo.
Sopa de Concha
Geraldo Leite e os amigos do Rumo
Biscoito Fino
2010
15 faixas
http://www.gruporumo.com.br/
21 de mai. de 2010
19 de mai. de 2010
Virando na Virada
Minha 6ª VIRADA CULTURAL!!!!! Pena que esteja ficando velha e cansada pra virar literalmente, porque este ano só assisti a 4 atrações. E como é difícil ficar no impasse entre a Saída da Parada Estelar e os shows da Zélia Duncan e do Nelson Sargento, todos no mesmo horário! A gente se vira como dá, não é?!?
Assistimos um pedacinho da Zélia, mas bem a tempo de ouvir Capitu, do Tatit, pela primeira vez na Virada (momento a outra depois) na voz da minha diva nº4 (das outras trato em outro momento). A música é, como se diz? Sei lá! Acho linda, e pronto!!!
"Você é virtualmente amada amante
Você real é ainda mais tocante
Não há quem não se encante"
Depois fomos para o show do Tatit, Wisnik, Nestrovski, Celso Sim e banda. Esperamos pelos 55min. de atraso, mas valeu toda a pena do mundo... E a Zélia apareceu por lá!!!! (perdeu prayboy!!!!).
Cantaram Capitu!!!! De novo!!! Mas na voz do compositor, que, aliás, é a única pessoa no universo que canta "Quando A Canção Acabar ", de sua própria autoria, sem movimentar um músculo no corpo que não sejam os faciais indispensáveis ao canto. Imaginem toda a ginga de Luiz Tatit! Parece até aula de semiótica... credo! Tivemos também a belíssima canção "Feito Pra Acabar" de Marcelo Jeneci, Wisnik e Paulo Neves. Radiante em seu:
"A gente é feito pra acabar
A gentete é feito pra dizer que sim
A gente é feito pra caber no mar
Me lembro de, em 2005, ter encontrado o Tom Zé a esmo lá na São João. Foi paixão a primeira vista!!! Desde então, faço questão de ficar na primeira fila, encostada na grade, sendo espremida e maltratada, mas sentindo o suor do artista caindo em mim. Foi assim com o Geraldo Azevedo e com o Camelo ano passado, foi assim com o Baile do Simonal e com o Tatit (e acompanhantes) esse ano.
"Você é virtualmente amada amante
Você real é ainda mais tocante
Não há quem não se encante"
Depois fui ver o Simoninha e o Max cantando Simonal. Bárbaros!!! E fiquei pertinho, há umas 4 pessoas de distância!!! E as fotos não me deixam mentir.
Cantei, dancei e fumei de tabela. Me senti: O negão!!!! Da cor! Até esqueci que sou pretinha amarelada.
Queria ter visto Orlandivo e Clube do Balanço, mas pra uma senhorinha, tia, namorada, irmã, "fessora", filha e aluna não dava mais... era muito tarde! Ou muito cedo? Cinco da matina é horário de acordar pra ganhar o dia, não de ir pro samba-rock.
Como fui dormir com os galos às 2 da matina, consegui ver Palavra Cantada no domingo às 9h. Foi o melhor!!! Cantei com as crianças a música da sopa, a da bolacha, a da fome e Criança não trabalha (minha preferida!!)
Cantaram Capitu!!!! De novo!!! Mas na voz do compositor, que, aliás, é a única pessoa no universo que canta "Quando A Canção Acabar ", de sua própria autoria, sem movimentar um músculo no corpo que não sejam os faciais indispensáveis ao canto. Imaginem toda a ginga de Luiz Tatit! Parece até aula de semiótica... credo! Tivemos também a belíssima canção "Feito Pra Acabar" de Marcelo Jeneci, Wisnik e Paulo Neves. Radiante em seu:
"A gente é feito pra acabar
A gentete é feito pra dizer que sim
A gente é feito pra caber no mar
E isso nunca vai ter fim."
Imaginem se ano que vem não estou lá de novo!!!
14 de mai. de 2010
À LA CLAIRE FONTAINE
À la Claire Fontaine" é uma canção infantil da época do romantismo francês (início do Século XVII), e foi levada para o Canadá pelos soldados franceses. Lá converteu-se em hino nacional na revolta da Província de Quebec contra os ingleses em 1837. Ali ganhou uma versão em inglês muito conhecida. Esta canção faz parte de todas as listas folclóricas , infantis e dos escoteiros franceses.
A mesma música em duas versões de vídeo. A primeira é um trecho do filme 'O Despertar de Uma Paixão´ de 2006 em que a canção faz parte das cenas finais. Na segunda versão, temos um vídeo de escola de idiomas, provavelmente pra um curso infantil.
A mesma música em duas versões de vídeo. A primeira é um trecho do filme 'O Despertar de Uma Paixão´ de 2006 em que a canção faz parte das cenas finais. Na segunda versão, temos um vídeo de escola de idiomas, provavelmente pra um curso infantil.
13 de mai. de 2010
13 DE MAIO - Uma discussão sobre questões étnicas que vale a pena ter
Há 122 anos a princesa Isabel assinava a Lei Áurea, que garantia a liberdade de todos os escravos no Brasil. Embora o processo de desestruturação do mito da “democracia racial" tenha avançado muito nos últimos anos, no terreno da luta social e política perdura um grande atraso a ser superado. Cabe à República completar a Abolição com políticas públicas eficazes.
por Gilson Caroni Filho
No ano de 1983, uma foto estampada na primeira página do Jornal do Brasil renderia ao seu autor, o repórter-fotográfico Luiz Morier, o Prêmio Esso de fotojornalismo. Nela, um grupo de negros atados pelo pescoço por uma corda é levado pela polícia, após uma das frequentes batidas em favelas do Rio de Janeiro. Assemelhando-se àquelas pinturas do século XIX, em que aparecia o capataz com seu chicote ao lado de escravos amarrados, a fotografia de Luiz Morier era encimada por um sugestivo título: "Todos negros" A pergunta remete a duas questões que permanecem dolorosamente atuais: por que a data referência da libertação dos negros continua sendo o 13 de maio e qual é seu exato significado?
Talvez o questionamento mereça mais desdobramentos. Por que a crença de que vivemos numa democracia racial permanece tão enraizada no pensamento da maioria da população brasileira quando, ao nos determos no cotidiano social deste país, percebemos as profundas desigualdades que ainda envolve distintas etnias? A constatação de que os negros e não-brancos em geral são aqueles que possuem empregos menos significativos socialmente não seria evidência suficiente para demolir de vez um imaginário construído ao longo de dois séculos?
Apesar do contrapondo estabelecido pela criação do dia da Consciência Negra, permanece o costume frequente de nos curvamos diante do ritual do 13 de maio. A mesma elite que não aceita políticas de cotas, que protela a sanção do Estatuto da Igualdade Racial, enaltece a libertação dos escravos como inicio de uma nova era de liberdade. Sequer se dá conta de que notórios abolicionistas como Nabuco, Patrocínio, Rebouças e Antônio Bento, entre outros, afirmaram que a abolição só se cumpriria de fato com a reforma agrária e a entrada dos trabalhadores num sistema de oportunidade plena e concorrência.
Mesmo os setores mais progressistas, ao denunciar as condições sócio-econômicas dos negros depois de 122 anos de abolição, justificam a situação atual como resquício do passado escravo. Isso explicaria a permanência de mecanismos não institucionais de imobilização que atingem o segmento negro da população, produzindo distâncias sociais enormes, jamais compensadas? Ou é cortina de fumaça para preservar a aura de “bondade" da princesa branca? Estudos feitos sobre a época da chamada Abolição, mostram que 70% da população dos escravos já estavam livres antes de 1888, ou por crise econômica de algumas frações da classe dominante ou por pressões dos próprios negros, através de lutas, fugas e rebeliões.
A Lei Áurea foi, na verdade, uma investida bem sucedida das elites pelo controle político de uma situação que lhes fugia das próprias mãos. Sua eficácia ideológica pode ser atestada até hoje com os festejos do 13 de maio. O que é um indicador preciso da recorrente capacidade de antecipação política da classe dominante continua sendo percebido como "gesto magnânimo", exemplo da cordialidade vigente em nossa história política. A teoria dos resquícios (que de fato existem) tenta ocultar um fato relevante: os mais de um século de modo de produção capitalista e seus mecanismos de exclusão da população negra não permitem jogar todo débito na conta do passado.
Como observa Fátima do Carmo Silva Santos, secretária da União Negra Ituana( UNEI), a Lei Áurea foi na verdade um passo importante, mas como veio desacompanhada de reformas estruturais, resultou em "uma demissão em massa do povo negro, já que eles não tinham emprego, educação ou qualquer condição de conseguir um trabalho que não fosse com os seus senhores em troca de um teto".
Embora o processo de desestruturação do mito da “democracia racial" tenha avançado muito nos últimos anos, no terreno da luta social e política perdura um grande atraso a ser superado. Cabe à República completar a Abolição com políticas públicas eficazes. Enquanto tivermos um Demóstenes Torres(DEM-GO) responsabilizando os ex-escravos por sua própria escravidão- e publishers escravocratas pagando a capatazes magnolis para descer o açoite em jornalistas que noticiaram o fato- é fundamental que usemos a data para destacar a dimensão cultural, a construção social e ideológica de “raça" como elementos reprodutores de desigualdades sociais perpetuadas.
É a única comemoração possível em Paços Imperiais que, desde 1888, alforriam as más consciências de uma elite incapaz de elaborar projetos republicanos. As mesmas que criminalizam o MST para manter inalterada a estrutura fundiária que vem da Lei de Terras, aprovada em 1850. As mesmas que acham possível falar em libertação sem nenhuma política de inserção aplicada. O condimento neoliberal não esconde a essência escravocrata da direita brasileira. É bom pensar nisso em outubro.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
artigo disponível em: http://port.pravda.ru/cplp/brasil/29537-1/
12 de mai. de 2010
Relembrando Nação
"Maracatu Atômico" do álbum Afrociberdelia de 1996, música de autoria de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, grande sucesso na voz de Gilberto Gil na década de 70. Afrociberdelia, que foi considerado por alguns críticos o trabalho de maior maturidade e repercussão do movimento mangue-beat, já que nele o conjunto emplacou uma série de sucessos além de “Sangue de bairro”, tais como “Manguetown”.
Maracatu pela relação com o local, o mangue; atômico pela referência à cultura pop global.O movimento enquanto manifesto conceitua o Manguebeat (a lama fértil e viva dos mangues potencializada pelos bits da cibernética). A sonoridade emergente, a batida do mangue (Manguebeat) no entanto não é única, como mostram os trabalhos das bandas Mundo Livre S.A. e Mestre Ambrósio, outros grupos relacionados ao movimento.
Maracatu Atômico
Composição: Jorge Mautner / Nelson Jacobina
No bico do beija-flor, beija-flor, beija-flor
Toda fauna-flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê
Atrás do arranha-céu tem o céu tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva, tem a chuva tem a chuva,
Que tem gotas tão lindas que até dá vontade de comê-las
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê
No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor,
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas tão negras e tão afiadas esqueceu de pôr
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
No fundo do para-raio tem o raio, tem o raio,
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro negro é todo negro é todo negro
Que eu escrevo seu nome nele só pra demonstrar o meu
apego
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê
Maracatu pela relação com o local, o mangue; atômico pela referência à cultura pop global.O movimento enquanto manifesto conceitua o Manguebeat (a lama fértil e viva dos mangues potencializada pelos bits da cibernética). A sonoridade emergente, a batida do mangue (Manguebeat) no entanto não é única, como mostram os trabalhos das bandas Mundo Livre S.A. e Mestre Ambrósio, outros grupos relacionados ao movimento.
Maracatu Atômico
Composição: Jorge Mautner / Nelson Jacobina
No bico do beija-flor, beija-flor, beija-flor
Toda fauna-flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê
Atrás do arranha-céu tem o céu tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva, tem a chuva tem a chuva,
Que tem gotas tão lindas que até dá vontade de comê-las
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê
No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor,
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas tão negras e tão afiadas esqueceu de pôr
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
No fundo do para-raio tem o raio, tem o raio,
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro negro é todo negro é todo negro
Que eu escrevo seu nome nele só pra demonstrar o meu
apego
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
No bico do beija-flor, beija-flor, beija-flor,
Toda fauna flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arteE aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê
Declaração de amor
Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguajem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Ás vezes se assusta com o imprevisto de uma frase. Eu gosto de manejá-la - como gostai a de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escreve-nos atamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Ás vezes se assusta com o imprevisto de uma frase. Eu gosto de manejá-la - como gostai a de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escreve-nos atamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.
Clarice Lispector in A descoberta do mundo.
11 de mai. de 2010
Eu apresento a página branca.
Contra:
Contra a água.
Arnaldo Antunes in Tudos
Sem-graças travestidos de sérios
Anões travestidos de crianças
Complacentes travestidos de justos
Jingles travestidos de rock
Hisstórias travestidas de cinema
Chatos travestidos de coitados
Passivos travestidos de pacatos
Medo travestido de senso
Censores travestidos de sensores
Palavras travestidas de sentido
Palavras caladas travestidas de silêncio
Obscuros travestidos de complexos
Bois travestidos de touros
Fraquezas travestidas de virtudes
Bagaços travestidos de polpa
Bagos travestidos de cérebros
Celas travestidas de lares
Paisanas travestidos de drogados
Lobos travestidos de cordeiros
Pedantes travestidos de cultos
Egos travestidos de eros
Lerdos travestidos de zen
Burrice travestida de citações
Água travestida de chuva
aquário travestido de tevê
água travestida de vinho
água solta apagando o afago do fogo
água mole sem pedra dura
água parada onde estagnam os impulsos
água que turva as lentes e enferruja as lâminas
água morna do bom gosto, do bom senso e das boas intenções
insípida, amorfa, inodora, incolor
água que o comerciante esperto coloca na garrafa para diluir o whisky
água onde não há seca
água onde não há sede
água em abundância
água em excesso
água em palavras.
Eu apresento a página branca.
A árvore sem sementes.
O vidro sem nada na frente.
Arnaldo Antunes in Tudos
9 de mai. de 2010
FELIZ DIA DAS MÃES!!!!
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora.
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
ANDRADE, Carlos Drummond de, 1902-1987. in Lição das coisas. Nova Reunião: 23 livros de poesia - vol. 2. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009. pp. 91-92.
4 de mai. de 2010
OU ISTO OU AQUILO
Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.3 de mai. de 2010
Os diálogos de Alice
Uma reflexão sobre o significado da obra nos últimos 150 anos
Por
Maria Zilda da Cunha* e Nathália Xavier Thomáz**
E de que serve um livro sem figuras e nem diálogos? Esta frase é de Lewis Carroll, em uma de suas Alices. A questão que coloca reverbera em sua obra – dada a extrema iconicidade que ela atinge e a capacidade inusitada de estabelecimento de inúmeros diálogos. Instaurando-se na História e atravessando o ambiente tempório-espacial que o homem tece através da e na linguagem, Alice de Carroll acompanha tranquila e em múltiplos diálogos o advento de novas lógicas, novas geometrias, de novas fronteiras espaciais, novas físicas, novas matemáticas, de novas tecnologias e novas formas de relações sociais.
O hibridismo de gêneros e códigos, as referências e as contínuas operações intersemióticas, que permeiam a própria composição da obra, revelam uma mirada metalinguística, uma intensa consciência de linguagem, mesmo no interior do ato criativo. Esse processo ininterrupto de diálogo e de criação de signos – a que chamamos semiose – instalou-se na obra e faz de Alice no País das Maravilhas uns dos constructos ficcionais do século XIX com as mais fortes feições estéticas do século XXI.
Pensemos em uma personagem da qual não se tem a definição – Alice é menina, fada, bruxa, serpente, gigante, anã e monstro. Tudo e nada ao mesmo tempo. Relaciona-se com as mais inusitadas figuras e vivencia situações inesperadas. Alice é poder ser. Alice faz-se em formas de metamorfoses, modos de conexão, tal qual como um complexo diagrama da cadeia de pensamentos, e que ao fim e ao cabo, entre o risco e o rigor, em seu fluxo, enuncia e denuncia, por outro universo do absurdo, o absurdo de determinadas regras e valores instituídos por sistemas criados para regerem a vida do homem.Alice é matéria literária, como diz Nelly Novaes Coelho, “mais ameaçadora que gratificante, ainda que procurem, ao longo do tempo, torná-la mais gratificante que no original”. Foi em 1862, durante um passeio no Tamisa, que o matemático e fotógrafo Charles Lutwidge Dodgson inventou uma história para entreter as filhas de um amigo, -
Henry George Liddell, o deão do Chist Church – e utiliza como personagem principal uma das meninas. Em sua narrativa envolveu pessoas, situações e canções que permeavam a vida das crianças, tornando-as participantes ativas na tessitura da estória.
Três anos depois, cedendo a um pedido de Alice – a ouvinte-protagonista – Charles escreve a narrativa para dar a ela de presente. O autor acrescenta ao texto verbal algumas ilustrações feitas por ele mesmo e intitula a estória: Alice por baixo da terra ( Alice’s Adventures Underground).
Mais tarde, publicou o livro, com ilustrações de John Tenniel, com o novo título: Alice no País das Maravilhas (Alice’s Adventures in Wonderland) e o faz sob o pseudônimo de Lewis Carroll.
Ao transferir-se para as folhas, que formaram o presente de Alice, e, posteriormente, o livro publicado em 1865, a estória sofreu um processo de adaptação, da narrativa oral para o suporte livresco. Portanto, pode-se dizer que foi o próprio Carroll quem começa o processo de releitura, revisitação, diálogo e reprodução de Alice no País das Maravilhas. Processo que foi realizado de maneira muito mais intensa com o advento da indústria cinematográfica.
Considerado “o primeiro grande nome da área do realismo maravilhoso dentro da literatura infantil moderna”, Alice exerceu uma enorme influência no imaginário da sociedade atual. Os ecos da obra continuam a reverberar nas produções culturais contemporâneas. Alice apresenta-se em inúmeras figuras e produtos, de desenho animado à personagem de vídeo-game, influenciando as criações midiáticas.A primeira adaptação de Alice para o cinema foi realizada por Cecil Hepworth, em 1903, através de uma arte que começava a dar seus primeiros passos, sob grande influência do teatro e bastante vinculada a textos escritos para expressar as falas do cinema mudo. Depois deste primeiro trabalho, a estória foi revisitada muitas vezes pela linguagem cinematográfica.
Com certeza, a mais famosa até os dias de hoje é a animação de Walt Disney, lançada em 1951. Através da fantasia, do fantástico e do encantamento característicos das animações de Disney, a aventura de Alice ficou ainda mais popular. Algumas concessões foram feitas, muitas atenuações nos jogos propostos pelo nonsense do livro e, apesar de perder o caráter lúdico e crítico da obra original, a produção da Disney configura uma imagem que ainda ecoa no imaginário moderno.
Assistimos, este ano, a uma retomada do diálogo com Alice no País das Maravilhas pelos estúdios Walt Disney na produção de um filme dirigido por Tim Burton. A grande novidade é sua realização em 3D. A proposta desta versão – às vésperas do lançamento – é contar a estória de uma Alice adulta que retorna para o universo do nonsense carrolliano para ajudar as criaturas do País das Maravilhas.
O diálogo com a obra original já pode ser percebido pelas imagens divulgadas do filme. Observa-se a tentativa em criar uma estética tão desproporcional e absurda quanto à proposta pelo livro.
Como sabemos, o advento do 3D propõe uma nova forma de vivenciar a recepção cinematográfica, ao imergir o espectador na ação fílmica, altera formas de percepção visual. É possível que essa nova tecnologia possibilite outros modos de configurar os labirintos criados pela linguagem de Lewis Carroll, por meio de diagramas virtuais que operem de forma mais concreta e envolvente, no sentido de figurar, em outra materialidade, a arquitetura labiríntica da obra. No entanto, essas são apenas conjecturas; somente após a exibição e uma análise mais cuidadosa dessa nova versão, poderemos conferir se Alice ficou apenas mais gratificante ou se voltou a exercer seu papel ameaçador original.Ao fim e ao cabo, é preciso lembrar: a estória de Alice estabeleceu diálogos com todas as formas de arte, num processo constante de atualização e revisitação. Há mais de 150 anos elementos dessa obra figuram no imaginário popular e falam à sociedade em que vivemos.
* Maria Zilda da Cunha é professora doutora do Programa de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, na Área de Literatura Infantil e Juvenil da Universidade de São Paulo.
** Nathália Xavier Thomáz é mestranda em Estudos Comparados de Literaturas da Língua Portuguesa na Universidade de São Paulo.
30 de abr. de 2010
A Menina Dança
Composição: Galvão - Moraes Moreira
Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos
Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
Depois de esgotar
O tempo regulamentar
De um lado o olho desaforo
Que diz meu nariz arrebitado
E não levo para casa, mas se você vem perto eu vou lá
Eu vou lá!
No canto do cisco
No canto do olho
A menina dança
E dentro da menina
A menina dança
E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança
Até o sol raiar
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer
Nascer o que há!
Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos
ADORO ESSA MÚSICA NA VOZ DA MARISA MONTE, MAS A BABY É O QUE HÁ!!! E AS DUAS JUNTAS?
Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos
Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
Depois de esgotar
O tempo regulamentar
De um lado o olho desaforo
Que diz meu nariz arrebitado
E não levo para casa, mas se você vem perto eu vou lá
Eu vou lá!
No canto do cisco
No canto do olho
A menina dança
E dentro da menina
A menina dança
E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança
Até o sol raiar
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer
Nascer o que há!
Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos
ADORO ESSA MÚSICA NA VOZ DA MARISA MONTE, MAS A BABY É O QUE HÁ!!! E AS DUAS JUNTAS?
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