e um anjo me sussurra com calma
as encruzilhas,
as estradas desconhecidas.
Todos os meus anseios
estão em suas mãos
e com seu hálito me acalma,
me acalanta.
Durma, ele me diz, sentado
na beira de minha sombra,
não tenha medo dos sonhos.
Sempre escrevi: nas capas dos livros, em agendas, infinitos cadernos, folhas avulsas... Constantemente manifesto minhas impressões. A partir de hoje, passarei a canalizar tudo neste espacinho virtual para compartilhar com o maior número de pessoas as minhas fartas visões.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Ás vezes se assusta com o imprevisto de uma frase. Eu gosto de manejá-la - como gostai a de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escreve-nos atamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Pensemos em uma personagem da qual não se tem a definição – Alice é menina, fada, bruxa, serpente, gigante, anã e monstro. Tudo e nada ao mesmo tempo. Relaciona-se com as mais inusitadas figuras e vivencia situações inesperadas. Alice é poder ser. Alice faz-se em formas de metamorfoses, modos de conexão, tal qual como um complexo diagrama da cadeia de pensamentos, e que ao fim e ao cabo, entre o risco e o rigor, em seu fluxo, enuncia e denuncia, por outro universo do absurdo, o absurdo de determinadas regras e valores instituídos por sistemas criados para regerem a vida do homem.
Considerado “o primeiro grande nome da área do realismo maravilhoso dentro da literatura infantil moderna”, Alice exerceu uma enorme influência no imaginário da sociedade atual. Os ecos da obra continuam a reverberar nas produções culturais contemporâneas. Alice apresenta-se em inúmeras figuras e produtos, de desenho animado à personagem de vídeo-game, influenciando as criações midiáticas.
Como sabemos, o advento do 3D propõe uma nova forma de vivenciar a recepção cinematográfica, ao imergir o espectador na ação fílmica, altera formas de percepção visual. É possível que essa nova tecnologia possibilite outros modos de configurar os labirintos criados pela linguagem de Lewis Carroll, por meio de diagramas virtuais que operem de forma mais concreta e envolvente, no sentido de figurar, em outra materialidade, a arquitetura labiríntica da obra. No entanto, essas são apenas conjecturas; somente após a exibição e uma análise mais cuidadosa dessa nova versão, poderemos conferir se Alice ficou apenas mais gratificante ou se voltou a exercer seu papel ameaçador original.
Só quando desaguou na outra margem do tempo ele ousou despersianar os olhos. Olhou o corpo e viu que já nem a si se via. Que aconteceu? Virara cego?
Pintalgato acordou, todo estremolhado, e viu que, afinal, tudo tinha sido um sonho. Chamou pela mãe. Ela se aproximou e ele notou seus olhos, viu uma estranheza nunca antes reparada. Quando olhava o escuro, a mãe ficava com os olhos pretos. Pareciam encheram de escuro. Como se engravidassem de breu, a abarrotar de pupilas.